Aguarde. Carregando informações.
MENU

Sexta-Feira, 22 de setembro de 2017 | TEMPO: PARCIALMENTE NUBLADO

O dia que Maceió virou Sucupira

COLUNISTAS Jana Braga

O dia que Maceió virou Sucupira

O dia que Maceió virou Sucupira

Colocação da estátua de Paulo Gracindo (Imagem: Pei Fon)

Peça teatral, livro, novela, série, minissérie e filme, "O Bem Amado" é um dos maiores sucessos brasileiros. A estória que conta as peripécias de Odorico Paraguaçú, pitoresco prefeito da cidade cenográfica de Sucupira, conquistou o Brasil com os trejeitos de um político trapaceador que sobrevive no imaginário popular ao longo do tempo.

 

 

 

De discurso fácil, a retórica recheada de um vocabulário exclusivo de autoria própria servia para enganar o público no objetivo de parecer um grande líder. Seu projeto de campanha e de governo foi a construção de um cemitério que por falta de mortes no pequeno município levou o prefeito a praticar sandices que por fim culminaram nele mesmo como o primeiro defunto a inaugurar a grandiosa obra.

 

 

 

Embora o enredo tenha sido construído na comédia, a desencarnação do personagem pode ser entendida como o fim político de Odorico Paraguaçú, um péssimo representante de moral, práticas e costumes absolutamente duvidosos. Não é de hoje que humor e política andam de braços dados. Recordo que o livro do ex-deputado Temóteo Correia, "O Pitoresco da Política no País das Alagoas" arrancou-me gargalhadas com as passagens por ele narradas de acontecimentos políticos que marcaram o nosso estado.

 

 

 

Como a arte imita a vida real e a vida real imita a arte quem acompanha a política sempre se depara com episódios engraçados. Foi o que aconteceu na orla de Maceió, na última sexta-feira, quando o prefeito Rui Palmeira fincou a estátua do ator Paulo Gracindo, em memória, em uma justa homenagem àquele que eternizou o personagem de Odorico. Por mais que a intenção de Rui Palmeira tenha sido reverenciar o talento do ator alagoano que brilhou ao longo da carreira, foi impossível evitar a lembrança do exótico prefeito de Sucupira.

 

 

 

Claro que seria injusto apontar singularidades entre Rui Palmeira e Odorico Paraguaçú, mas a inauguração, além da merecida deferência, reaviveu a lembrança do ilustre político e o registro da simbologia, ainda que comédia da dramaturgia brasileira, não poderia passar em branco.

 

 

 

Por um instante.

 

 

 

Na ficção, Maceió.

 

 

 

Na realidade, Sucupira.

Comentários