Aguarde. Carregando informações.
MENU

Quarta-Feira, 05 de agosto de 2020

DE PINÓQUIO A ERASMO

COLUNISTAS André Barros

Pós graduado em Direito Penal. Mestrando em educação da Unisul. Pesquisador do Grupo de Pesquisa em Análise do Discurso Jurídico (GPADJUS/CNPq).

DE PINÓQUIO A ERASMO

DE PINÓQUIO A ERASMO

(Imagem: Reprodução)

Se existe algo que marca a história política brasileira, verdadeiramente, é a mentira! Ela foi a protagonista de momentos cruciais e melhora seu desempenho no teatro da vida a cada campanha eleitoral. Se houvesse um óscar da política tupiniquim, a mentira seria sempre vencedora. Por aqui, mentir e fazer política andam pari passu, à semelhança de um casal apaixonado em eternas núpcias. E não tem nada de pernas curtas, ao contrário: mentiras politicamente engajadas correm como avestruz ao sabor dos interesses velados dos que as criam e disseminam. Dessa relação íntima, surgiu até um fruto, brasileiro nato, chamado “politicagem”...

E a atuação da mentira não se restringe à politica. Na Era digital, milhares de pessoas repassam fake news diariamente, ajudando a ampliar os prejuízos das mentiras alheias. Falando em internet, quem nunca se deparou com aquela mentira suave, nas postagens do tipo "ostentação", e pensou: "Fulano não tem esse dinheiro todo não!". Pois é, a mentira é doce para os que fingem viver outra realidade, negando a dureza que enfrentam de verdade no dia a dia! Mas, fingir riqueza e felicidade não ajuda a superar as carências, apenas fortalece os grilhões que prendem o "ostentador virtual" à pobreza material e espiritual. Na verdade, quem apela para simulacros de riqueza mente para si mesmo, tentando sufocar artificialmente suas frustrações. E, assim, a internet serve a muitos como reino da mentira suavizada sob a alcunha de “ostentação”.

Mas, nem só de desgraças vive a mentira, ela também tem grande utilidade, é verdade! Vejam que é por meio da mentira que se pode verificar a verdade. Sim, não existe melhor marcador de uma verdade do que a mentira que constitui sua negação. Nesse aspecto, a mentira é muito útil como filtro para a correta compreensão da realidade. Além disso, também serve para avaliar pessoas, pois identifica honestidade e sinceridade, distinguindo falsidade e dissimulação. Já que possui importantes utilidades, não seria o caso de alguém escrever “O Elogio da Mentira”?

É preciso reconhecer a necessidade de combater mentiras e abraçar verdades. Acomodações erguidas por mentiras virtualmente arquitetadas devem ceder ao enfrentamento do espinhoso cenário concretamente vivenciado. Quem é complacente à mentira revela-se doente e incapaz de encontrar a cura para seus males. Uma educação com forte impacto na cultura é peça chave para transformar uma sociedade de Pinóquios, cumprindo a promessa de formar sujeitos de verdades, vivendo uma verdadeira cidadania num país de verdade.