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Segunda-Feira, 18 de novembro de 2019

REPRESENTANDO O REPRESENTANTE

COLUNISTAS André Barros

Pós graduado em Direito Penal. Mestrando em educação da Unisul. Pesquisador do Grupo de Pesquisa em Análise do Discurso Jurídico (GPADJUS/CNPq).

REPRESENTANDO O REPRESENTANTE

REPRESENTANDO O REPRESENTANTE

(Imagem: Reprodução )

O saudoso Raul Seixas nos deixou uma música que diz: "Mamãe não quero ser prefeito, pois pode ser que eu seja eleito e alguém pode querer me assassinar.". Essa canção tem o humor como efeito imediato, mas ao final fica a pulga atrás da orelha: o que ele quis dizer?

Na verdade, essa sátira do "Maluco Beleza" reflete um aspecto do pensamento de Platão, exposto no livro "A República", qual seja: a ideia de que política significa se ocupar com problemas alheios, que o homem de bem, quando político, mostra-se abnegado, trabalha para solucionar problemas coletivos, em detrimento de seus interesses pessoais.

Moral da história: quando a política é exercida por homens de bem, torna-se um fardo para eles. Por isso, o mesmo Platão afirmou que a política não atrai homens de bem, pois é "evidente que o verdadeiro chefe não nasceu para velar pela sua conveniência, mas pela dos subordinados. Aquele que fosse sensato preferiria receber benefícios de outrem a ter o trabalho de ajudar ele os outros." Somos propensos ao individualismo, pouco afeitos a nos ocupar com problemas coletivas.

Certamente esse pensamento serve para explicar por que exigimos tanto de nossos representantes, enquanto fazemos tão pouco para lhes apoiar.
Precisamos entender que a democracia, a despeito de suas graves limitações, deve funcionar mediante uma reciprocidade fundamental entre representantes e representados: honestidade e comprometimento direcionados à construção das melhores soluções possíveis. Precisamos participar!

"O maior dos castigos é ser governado por quem é pior do que nós, se não quisermos governar nós mesmos" (Platão).