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TÊNIS E BOTAS

COLUNISTAS André Barros

Pós graduado em Direito Penal. Mestrando em educação da Unisul. Pesquisador do Grupo de Pesquisa em Análise do Discurso Jurídico (GPADJUS/CNPq).

TÊNIS E BOTAS

TÊNIS E BOTAS

(Imagem: Reprodução)

As feridas deixadas pelo Regime Militar no Brasil ainda são um problema. Em 2010, os ministros do STF deixaram de rever a lei
da Anistia, aquela que “apagou” os crimes ocorridos no período. Péssima decisão...

Militares e guerrilheiros que violaram direitos humanos durante o Regime deveriam ser julgados e punidos hoje, respeitadas as garantias
da atual Constituição. Talvez, assim, teria fim o hábito de valorar os mesmos, classificando-os como vilões ou mocinhos. Não deve prevalecer critério ideológico para distinguir criminosos e vítimas. Em conflitos armados, não existe o "lado certo", pois todos buscam vencer mediante morte e destruição. No calor do combate, vale apenas a lei da sobrevivência...

Assim, a atitude de lançar valorações sobre pessoas que se envolveram nos conflitos armados durante o Regime, tentando apontar bons e
maus, certos e errados, é flagrante estupidez. Apenas os que viveram aquele contexto podem valorar. Nem o militar nem o intelectual do presente devem (des)qualificar os militares ou os guerrilheiros do passado!

Não é possível mudar a história, mas, no atual contexto democrático, é possível construir a conciliação, aproximar militares e intelectuais. Personagens com atuações sociais bem distintas, mas essas
diferenças não determinam um antagonismo irremediável. Armas são instrumentos para a garantia da soberania. Armas e livros podem garantir o desenvolvimento humano e as liberdades...

O diálogo tolerante pode construir instituições militares mais humanizadas, bem como criar ambientes acadêmicos menos discriminatórios aos militares. Longe de visões extremadas, é preciso aceitar que o intelectual não é um conhecedor de verdades supremas, mas tão somente alguém que busca a verdade pelo conhecimento. Por outro lado, o militar não é vilão nem mocinho da história: apenas alguém desempenhando um papel social necessário.

Se não fosse possível conciliar disciplina e liberdade, Deus não teria feito o homem com dois braços e duas pernas: é a coordenação disciplinada dos movimentos corpóreos que possibilita a liberdade.