Aguarde. Carregando informações.
MENU

Quarta-Feira, 03 de junho de 2020

Maia, ‘o cara’, colhe louros com Nova Previdência

COLUNISTAS Edlúcio Donato

Maia, ‘o cara’, colhe louros com Nova Previdência

Maia, ‘o cara’, colhe louros com Nova Previdência

(Imagem: Notibras/Marta Nobre)

Aos olhos do Congresso Nacional, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, foi quem mais capitalizou politicamente com a aprovação da Nova Previdência. Ele conseguiu, principalmente cm o apoio do Centrão, barra pontos indigestos do modelo original apresentado pelo Palácio do Planalto e não cedeu sequer nos benefícios para militares, como desejava o presidente Jair Bolsonaro.

‘Ele (Maia) é o cara’, elogiou o líder do PSL, deputado Delegado Waldir, até então um desafeto do presidente da Câmara. A PEC que altera o sistema previdenciário brasileiro saiu com a cara dos parlamentares. E Maia virou seu principal protagonista, chegando a chorar ao ouvir seu nome entoado por um plenário lotado por 510 deputados.

Antes de anunciar o resultado da votação, Maia ocupou a tribuna e fez um discurso emocionado. Defendeu o Congresso dos ataques palacianos – ou de grupos ligados ao Palácio – enfatizando que, mesmo muito criticados, foram os deputados que aprovaram a reforma. E revelou que o Parlamento está recuperando a força política perdida nos últimos anos.

Maia fez afagos e recebeu muitos tapinhas nas costas. Negou qualquer rixa com seu colega Onyx Lorenzoni, chefe da Casa Civil, e disse que as mudanças feitas pelos deputados serviram para mostrar ao Planalto que a Câmara é um poder independente. Isso ficou claro com a exclusão, no texto-base, de pontos enviados pelo governo que ameaçavam barrar toda a proposta, como um sistema de capitalização, a inclusão de Estados e Municípios, e as mudanças nas regras da aposentadoria rural e no pagamento do Benefício de Prestação Continuada (BPC).

Rodrigo Maia fez um desabafo e revelou que o Brasil vive um momento histórico. “Todos nós falamos muito em combater privilégios, e o nosso sistema previdenciário e de assistência comete um dos maiores erros que um sistema pode cometer, porque o nosso sistema previdenciário, como é deficitário, coloca o Brasil em uma realidade muito dura. Para cada idoso abaixo da linha da pobreza, nós temos cinco crianças, e estas reformas vêm no intuito de reduzir desigualdades, e esse é o objetivo de todos os parlamentares aqui presentes”, afirmou.

Se houve ou não a ‘mala das emendas’ – promessa de Jair Bolsonaro de liberar 1 bilhão de reais aos deputados, só o tempo dirá. A única certeza, como foi ouvido em mais de uma dezena de discursos, que a vitória é da Câmara.

 

 

 

 

*Marta Nobre/Notibras