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Quarta-Feira, 18 de setembro de 2019 | TEMPO: PARCIALMENTE NUBLADO

A revolta do Guerreiro

COLUNISTAS Mariana Pimentel

A revolta do Guerreiro

Em um dos mais influentes romances da História – A Revolta de Atlas -, a escritora e filósofa Ayn Rand defende que o Titã da mitologia grega Atlas, condenado pro Zeus a suportar o peso do mundo, dê de ombros: seu esforço individual não deveria servir para sustentar o peso da humanidade.


Em Alagoas, o “povo” – ou Atlas – adota postura inversa à do Titã: deseja, suplica, demanda segurar o peso do Estado. Considera que, dessa forma, há de ter uma vida melhor. Dessa maneira, sertanejos elegem políticos que exploram a indústria da seca, a elite econômica investe em pautas que a tornará dependente de decisões políticas de ocasião e a classe média apoia gestões que posteriormente a colocará como refém – o Estado quebra as suas penas e oferece uma muleta, e nós, alagoanos – e por que não brasileiros – agradecemos docilmente o gesto.


Exemplo? Aos montes! A atual gestão de Maceió foi reeleita com grande apoio do trade turístico local. Empresários do ramo de hotelaria, bares e restaurantes envidaram esforços para renovar o mandato da administração. O “agradecimento” veio a galope: em 2017, menos de um após a renovação do mandato, a Prefeitura editou sem dificuldades o “Novo Código Tributário Municipal”, que chegou a aumentar em 900% alguns tributos – como a obscura “Taxa de Publicidade”.


Com a proximidade das eleições municipais de 2020, seria interessante se os alagoanos – e por que não os brasileiros – passassem a avaliar os candidatos por quem irá “fazer menos e melhor”, não por quem irá promoter mundos e fundos. Afinal, nada é de graça: cada uma daquelas promessas estrategicamente criadas por marqueteiros pagos com dinheiro do próprio eleitor via Fundo Eleitoral irá exigir posteriormente mais dinheiro do seu bolso, com grandes chances de que irão atrasar e encarecer no curso desse atraso.


Proponho, portanto, a Revolta do Guerreiro, notória figura do folclore alagoano, que deveria se rebelar quanto às promessas dos políticos e negar ao Estado um real a mais que seja. Até que última regalia dos marajás do setor público seja revista, nenhum aumento de imposto. Dê de ombros!

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