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Terça-Feira, 04 de agosto de 2020

Farinha pouca, meu pirão primeiro.

COLUNISTAS Mariana Pimentel

Farinha pouca, meu pirão primeiro.

Muitas pessoas hoje criticam fortemente a possibilidade do presidente vetar trecho do projeto de ajuda aos estados que abre a possibilidade de reajuste salarial para diversas categorias de servidores públicos.

A discussão inclusive não deve parar na hipótese de congelamento de salários, devemos avançar também para a possibilidade de redução temporária dos salários da Elite do Serviço Público, o que poderia representar uma economia emergencial de bilhões ao Estado brasileiro. Recursos que seriam direcionados a combater a COVID-19, tanto na área da saúde, como na manutenção de empregos.

Precisamos reconhecer que a carga tributária no país é elevadíssima, justamente porque é necessário custear o Estado gigante, especialmente os salários da elite do funcionalismo.

Não se trata de tributação, mas de redução emergencial e temporária de gastos: a diferença média entre o salário no setor privado e público é de 96% em favor do servidor. Ou seja: o setor público paga, em média, o dobro do que o setor privado consegue pagar.

Projeções conservadoras estimam que o desemprego no setor privado no Brasil mais do que dobrará nos próximos meses, indo a 25% e atingindo mais de 22 milhões de pessoas.

Além disso, ao contrário do que acontecerá com empregados do setor privado, autônomos e pequenos empreendedores, os servidores permanecerão com seu fluxo de renda garantido devido à estabilidade constitucional.

O Brasil consome aproximadamente R$ 720 bilhões de reais apenas para pagar os salários dos servidores. Enquanto a renda média mensal do brasileiro é de dois salários o congelamento temporário proposto irá preservar a renda dos servidores em patamar superior a realidade de muitos outros brasileiros.

Precisamos discutir temas com argumentos técnicos, sair da política da discussão mesquinha, que está repleta de ataques pessoais e preconceituosos, que só nos afasta da busca pela solução.

Em uma época dura, quando todos estão dando sua parcela de contribuição, é momento de os bons servidores, alinhados com o interesse da nação brasileira, contribuírem com seu sacrifício momentâneo enquanto durar a crise sem precedentes na nossa história. Estamos todos no mesmo barco. Como se diz no Nordeste: farinha pouca, meu pirão primeiro. Agora não. Se a farinha é pouca, vamos todos dividir o pirão!