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Sábado, 14 de março de 2026

Brasil

Brasília vê como certa delação de Daniel Vorcaro após troca de advogado

Integrantes do Centrão avaliam que acordo de colaboração com PF poderia ser mais abrangente do que com PGR

Brasília vê como certa delação de Daniel Vorcaro após troca de advogado

(Imagem: Reprodução)

A delação do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, já é considerada certa no meio político, após o empresário trocar a defesa nesta sexta-feira (13).

O criminalista José Luís de Oliveira Lima substituiu o advogado Pierpaolo Bottini.

A mudança na equipe de defesa ocorreu horas depois de a Segunda Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) formar maioria para manter a prisão preventiva do banqueiro.

Da esquerda à direita, passando por integrantes do Centrão, a dúvida agora é se o acordo deverá ser fechado com a PGR (Procuradoria-Geral da República) ou com a PF (Polícia Federal). Nos dois casos, a colaboração precisará ser homologada pelo ministro relator do caso, André Mendonça, do STF.

Outro ponto que preocupa a extensa lista de contatos de Vorcaro é até onde o banqueiro estaria disposto a avançar em uma eventual colaboração em troca de benefícios.

Até aqui, há suspeitas de conexões do empresário com servidores públicos, parlamentares, líderes partidários e até mesmo integrantes do Judiciário. O caso da fraude financeira já colocou sob escrutínio as relações de Vorcaro com ministros do STF, como Dias Toffoli e Alexandre de Moraes.

Sob reserva, interlocutores do Centrão avaliam que um eventual acordo com a PF poderia ser mais abrangente, inclusive com potencial avanço sobre integrantes da Corte. Na percepção desse grupo, um acordo conduzido pela PGR poderia ter escopo mais limitado.

Como mostrou a CNN, a PF e a PGR foram sondadas por interlocutores do ex-banqueiro Daniel Vorcaro sobre a disposição para um eventual acordo de delação premiada.

Segundo relatos feitos à CNN, a conversa foi preliminar e teve como objetivo consultar os investigadores do caso Master caso o empresário decida mudar de posição.

O vazamento da sondagem, porém, teve o objetivo de pressionar por uma eventual soltura de Vorcaro às vésperas do julgamento na Segunda Turma do STF, nesta sexta-feira (13). Em menos de uma hora após a abertura do plenário virtual, porém, foi formada maioria para manter o banqueiro preso.

Os ministros Luiz Fux e Kassio Nunes Marques seguiram o relator André Mendonça. Ainda falta o voto do ministro Gilmar Mendes, presidente da Segunda Turma. Outro integrante do colegiado, o ministro Dias Toffoli, declarou suspeição e não vota.

Entre aliados de Vorcaro, há a avaliação de que o empresário passou a considerar a possibilidade de delação após a prisão, na tentativa de conter o avanço da investigação sobre familiares e parte do patrimônio.

O cunhado do empresário, Fabiano Zettel, também está preso. Já o pai do ex-banqueiro, Henrique Vorcaro, foi citado pela PF por ocultar R$ 2,2 bilhões de vítimas do Master em seu nome na gestora Reag.

*G1/Blog Jussara Soares