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Sábado, 24 de janeiro de 2026

Brasil

De Ibaneis à crítica ao BC: saiba detalhes do depoimento de Vorcaro à PF

Banqueiro detalha relação com políticos, modelo baseado no FGC, falhas internas e acusa atuação do Banco Central

De Ibaneis à crítica ao BC: saiba detalhes do depoimento de Vorcaro à PF

(Imagem: Ilustração gerada por IA)

O depoimento do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, prestado no dia 30 de dezembro teve seu conteúdo revelado na sexta-feira (23).

A oitiva aconteceu no âmbito caso que investiga fraudes ligadas ao banco.

Dentre os temas abordados, estão a relação com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), o FGC (Fundo Garantidor de Crédito) como modelo de negócio, a tentativa de venda da instituição ao BRB (Banco de Brasília) e críticas ao BC (Banco Central).

Vorcaro cita Ibaneis e admite problemas de liquidez

Daniel Vorcaro afirmou à PF que se reuniu com o governador Ibaneis Rocha para tratar da venda do Banco Master ao BRB. Segundo ele, os encontros ocorreram entre 2024 e 2025, tanto em sua residência quanto na casa do governador, em Brasília.

“Já foi à minha casa, se não me engano, uma vez. Eu já fui à casa dele, e a gente se encontrou poucas vezes. Conversas institucionais”, disse.

Vorcaro negou "qualquer tentativa de interferência política na supervisão do Banco Central" e admitiu que o banco enfrentava problemas de liquidez. Segundo ele, a instituição utilizava o FGC como parte central de seu modelo de negócios, mas a situação estaria sendo corrigida.

Banco tinha modelo 100% baseado no FGC

O banqueiro afirmou que o plano de negócio do Master era integralmente baseado no FGC e defendeu a estratégia.

“O plano de negócio do Banco Master era 100% baseado no FGC e não havia nada de errado nisso. Essa era a regra do jogo”, declarou.

O FGC é responsável por garantir depósitos e créditos de correntistas e investidores em caso de intervenção ou liquidação de instituições financeiras.

Operação bilionária expôs fragilidades internas

Vorcaro reconheceu falhas nos controles internos do banco em uma operação bilionária envolvendo carteiras de crédito consignado da empresa Tirreno.

Segundo ele, a aquisição de créditos já originados por terceiros em grande escala era inédita para o Master e ocorreu em meio às negociações para venda ao BRB, o que aumentou o risco da operação.

Questionado, o banqueiro disse não saber a origem das carteiras consideradas fraudulentas e sem lastro, negociadas com o BRB no valor de R$ 12,2 bilhões. Ele afirmou que a Tirreno atuava como intermediária e que o banco realizou apenas análises de compliance.

“Na prática, o banco não tinha ingerência nem se preocupava com isso”, afirmou.

Negociação com o BRB e críticas ao Banco Central

Vorcaro afirmou que a negociação para a venda do Banco Master ao BRB foi construída tecnicamente dentro do Banco Central, o que, segundo ele, não justifica a exposição pública do caso. “O prejuízo, no final, não foi só meu, foi do sistema financeiro”, declarou.

O banqueiro criticou a atuação do BC e disse ter sido alvo de escrutínio excessivo. Segundo ele, a decisão da autarquia, em novembro de 2025, inviabilizou uma solução de mercado e levou à liquidação do banco.

Ainda de acordo com Vorcaro, havia divergências internas no Banco Central entre áreas que defendiam uma solução de mercado e outras que optaram pela liquidação da instituição.

Banqueiro nega influência política e tentativa de fuga

Questionado sobre políticos que frequentavam sua casa, Vorcaro evitou citar nomes e afirmou que suas relações pessoais não têm ligação com o caso.

Ele também rebateu a acusação de ser influente em Brasília.

“Se eu tivesse tanta influência, não estaria com a operação do BRB negada, nem usando tornozeleira, nem teria sido preso”, disse.

Sobre a viagem prevista a Dubai, o banqueiro afirmou que o deslocamento não tinha relação com tentativa de fuga e que o Banco Central foi informado previamente. Segundo ele, a interpretação foi “tirada de contexto”.

*CNN Brasil