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Sexta-Feira, 20 de março de 2026

Brasil

Delação de Vorcaro cria guerra de versões e pode mudar rumo da eleição

Delação de Vorcaro cria guerra de versões e pode mudar rumo da eleição

(Imagem: Reprodução)

A eventual delação do dono do Master, Daniel Vorcaro, criou uma guerra de versões entre apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Os dois lados duelam sobre quem será mais atingido e sairá mais ferido das revelações do banqueiro sobre fraudes bancárias e compra de apoio político.

 

O presidente Lula disse nesta quinta-feira (19) que a delação é o "ovo da serpente" para Bolsonaro e Roberto Campos Neto. O grupo de Bolsonaro aponta o dedo para ministros e políticos do PT, principalmente os da Bahia.

Na avaliação de líderes partidários, uma colaboração de Vorcaro deve ser acompanhada da de outros, como o fundador da Reag, João Carlos Mansur, criando um ambiente de turbulência exatamente no início da campanha eleitoral.

"Nenhum lado será poupado, nem o STF, a dúvida é quem sairá mais ferido deste processo que passa a República a limpo", diz um líder político.
 

Em Brasília, as especulações já começaram antes mesmo de um acordo ser fechado.

 
Caso Master: Daniel Vorcaro é transferido do presídio para a Superintendência da PF — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

Caso Master: Daniel Vorcaro é transferido do presídio para a Superintendência da PF — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

Impacto no cenário eleitoral

 

A depender do que for revelado, o cenário eleitoral pode sofrer mudanças imprevistas, beneficiar um dos dois lados que lideram as pesquisas — de Lula e Flávio Bolsonaro — ou mesmo abrir caminho para alguém que possa dizer na campanha que não tinha nenhum envolvimento com os esquemas do banqueiro.

O termo de confidencialidade entre Vorcaro, Polícia Federal e Procuradoria-Geral da República (PGR) já foi assinado.

Primeiro passo para as negociações de uma colaboração premiada, que pode chegar a um acordo ou não. Vai depender do que o banqueiro aceitará contar e das provas que ele poderá apresentar para confirmar seus depoimentos.

A presença da PF e da PGR juntas nas negociações é vista como um alívio dentro do STF e no meio político. A PGR tende a evitar "excessos de delegados", enquanto a PF não vai permitir operações para acobertar essa ou aquela autoridade.

Funciona, nas palavras de um investigador, como um seguro para os dois lados não serem acusados de pesar a mão ou aliviar na delação que tem potencial para ser a mais explosiva da história da República, atingindo os Três Poderes.

*G1/Blog do Valdo Cruz