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Sexta-Feira, 27 de março de 2026

Brasil

Fundo Garantidor de Créditos deu ajuda bilionária ao Master meses antes de liquidação

Conglomerado de Daniel Vorcaro pediu ajuda ao fundo em abril de 2025 para viabilizar reorganização societária e saída organizada do mercado

Fundo Garantidor de Créditos deu ajuda bilionária ao Master meses antes de liquidação

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master (Imagem: Divulgação/ Banco Master)

FGC (Fundo Garantidor de Créditos) prestou assistência financeira de R$ 4,3 bilhões ao conglomerado Master meses antes das instituições financeiras ligadas a Daniel Vorcaro serem liquidadas pelo Banco Central. Documento obtido pelo CNN Money mostra que o fundo prestou ajuda entre 5 de maio e 1° de outubro de 2025.

A assistência financeira era destinada integralmente à quitação de instrumentos que demandariam cobertura do fundo em caso de liquidação extrajudicial, com objetivo de viabilizar a reorganização societária do banco e sua saída organizada do mercado. Em contrapartida, o conglomerado realizou captações de apenas R$ 90,2 milhões.

Sendo assim, os recursos desembolsados pelo FGC seriam direcionados unicamente para o pagamento de títulos que, na eventualidade de uma liquidação extrajudicial, acionariam a garantia oferecida pelo Fundo. O limite de garantia estabelecido foi de R$ 250 mil.

O estatuto do FGC permite ao fundo contratar operações de assistência ou de suporte financeiro, inclusive operações de liquidez, com as instituições associadas, desde que a operação tenha como finalidade proteger investidores, prevenir crises bancárias sistêmicas ou contribuir para a manutenção da estabilidade do Sistema Financeiro Nacional.

A área técnica do BC afirmou que, apesar da frustração de soluções de mercado, houve redução do custo para a sociedade e para o FGC durante o processo.

A exposição do FGC foi reduzida de R$ 51 bilhões para cerca de R$ 40 bilhões, em caso de efetivo desembolso em decorrência do regime especial.

Apesar da assistência de liquidez de curto prazo prestada pelo FGC, bem como as demais ações adotadas – a exemplo de aumentos de capital, cessão de carteiras e ingresso de recursos via alienação de ativos próprios do controlador –, a crise crônica de liquidez do conglomerado continuou a se agravar.

Em 21 de setembro de 2025, o Banco Master apresentou novo plano de solução ao Banco Central, informando que a recomposição dos depósitos compulsórios somente seria plenamente efetivada no prazo de 180 dias, a partir das seguintes medidas:

  1. Alienação de 100% do capital do Master Múltiplo e, por conseguinte, da Will Financeira, transferindo-se o controle dessas instituições;
  2. Transferência de controle do Letsbank a investidores institucionais;
  3. Reestruturação dos custos do Banco Master;
  4. Celebração de acordo operacional com o BRB, que se comprometeu a adquirir até R$ 400 milhões mensais em operações de crédito originadas pelo Banco Master, em condições de mercado;
  5. Investimento e capitalização do Banco Master em até US$400 milhões, por meio do ingresso de investidores estrangeiros;
  6. Liquidação privada organizada e ágil de ativos, conjugada com assistência de liquidez do FGC, a ocorrer até dezembro de 2026; e
  7. Destinação, ao Banco Master, de direitos creditórios detidos pelo controlador, no montante de até R$ 8,5 bilhões.

Dois dias depois, em 23 de setembro de 2025, o FGC comunicou ao Banco Master que, como medida de "boa-fé", poderia vir a considerar a extensão da linha de assistência ao conglomerado, condicionada a plano concreto e viável de saída organizada de mercado.

As negociações entre o grupo e o fundo resultaram, em 7 de outubro de 2025, a extensão da linha de assistência financeira exclusivamente à Will Financeira no período de 2 de outubro a 30 de novembro de 2025 e no afrouxamento de parte do acordo firmado em setembro. Os termos foram aceitos pelo Banco Master em 8 de outubro de 2025.

No entanto, o negócio com o FGC não conseguiu amenizar, de modo suficiente, a crise crônica e aguda de liquidez enfrentada pelas instituições do grupo Master.

Por essa razão, o Banco Central entendeu que a decretação da liquidação extrajudicial do Banco Master era a solução solução adequada capaz de preservar o SFN (Sistema Financeiro Nacional).

Em 18 de novembro, quando o Banco Master foi liquidado, a instituição dispunha de um caixa livre em Títulos Públicos Federais de apenas R$ 4,8 milhões, ante um fluxo de vencimentos imediatos de CDBs (Certificados de Depósito Bancário) na ordem de R$ 48,6 milhões a pagar.

Após analisar a condução do processo de liquidação do conglomerado, a Audibancos (Unidade de Auditoria Especializada em Bancos Públicos e Reguladores Financeiros do Tribunal de Contas da União) concluiu que o processo de liquidação do Banco Master pelo Banco Central foi correto e dentro do esperado.

Na avaliação dos técnicos, a liquidação foi uma medida imperativa, legal e tecnicamente fundamentada.

Desde o fim do ano passado, o Banco Central liquidou nove instituições financeiras ligadas a Daniel Vorcaro. Por conta disso, o FGC vai ter que desembolsar mais de R$ 51 bilhões aos credores, o que representa o maior resgate da série histórica do fundo.

Ao CNN Money, a defesa de Daniel Vorcaro e o Banco Central informaram que não vão se manifestar. O FGC disse que não comenta sobre entidades associadas.

*CNN/Brasil