O MPF (Ministério Público Federal) identificou indícios de um prejuízo mínimo de R$ 5,8 milhões a fundos de aposentadoria de servidores públicos em operações financeiras ligadas ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
As movimentações ocorreram entre 2018 e 2020 e envolvem recursos de regimes próprios de Previdência Social, usados por estados e municípios para pagar aposentadorias.
A defesa de Daniel Vorcaro foi procurada para comentar as conclusões do Ministério Público Federal. O espaço segue aberto para qualquer manifestação.
O valor aparece em laudos da Polícia Federal anexados ao processo e se refere apenas aos casos já analisados. Para o MPF, o dano pode ser maior, já que outros fundos e investimentos permanecem sob investigação.
Segundo o órgão, empresas ligadas a Vorcaro surgem de forma recorrente em operações com dinheiro da Previdência, atuando na estruturação de fundos, na intermediação das aplicações e em decisões relacionadas à destinação dos recursos públicos.
Em um dos trechos do processo, o MPF afirma que “a repetição de estruturas semelhantes de investimento, envolvendo os mesmos agentes econômicos e recursos de regimes próprios de previdência, revela um modo de atuação padronizado”.
O valor
O montante de R$ 5,8 milhões teve origem em perícias criminais da Polícia Federal, que analisaram fundos administrados pela FOCO Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, empresa vinculada ao grupo de Vorcaro.
Os laudos indicam que fundos de previdência direcionaram recursos a produtos financeiros que, posteriormente, não devolveram os valores investidos, gerando perdas. Entre os fundos citados aparecem o AQ3 Renda FII, o Aquilla FII e o Conquest FIP.
Para o MPF, o número representa apenas parte do impacto. Segundo o órgão, “a extensão total do dano ainda depende da análise de outros investimentos e de novos regimes próprios de previdência”.
CVM na apuração
A investigação também envolve a CVM (Comissão de Valores Mobiliários), responsável pela fiscalização do mercado financeiro. O órgão foi instado a analisar a movimentação de empresas ligadas à família Vorcaro entre 2018 e 2020.
De acordo com o MPF, dados públicos da CVM, como registros de fundos, administradores e alterações societárias, serviram para o cruzamento de informações da investigação.
Em um dos pedidos encaminhados à Justiça, o Ministério Público sustenta que “a análise de dados disponíveis na CVM reforça a materialidade das irregularidades apontadas pela perícia criminal”.
O MPF também solicitou medidas como a suspensão de registros de fundos e gestores enquanto as apurações continuam.