Quarta-Feira, 04 de março de 2026
Quarta-Feira, 04 de março de 2026
Arthur tem Distrofia Muscular de Duchenne, doença genética, progressiva e sem cura, que compromete músculos, coração e capacidade respiratória. Medicamento custa R$ 17 milhões.
A campanha criada pela família do pequeno Arthur, de 6 anos, morador de Sorocaba (SP), acabou sendo alvo de um golpe que desviou parte das doações enviadas por pessoas que buscavam ajudar no tratamento do menino. Arthur tem Distrofia Muscular de Duchenne, doença genética, progressiva e sem cura, que compromete músculos, coração e capacidade respiratória.
A família iniciou uma vaquinha online para arrecadar recursos destinados à compra de um medicamento que, segundo a mãe, “para a progressão dessa doença” e custa cerca de R$ 17 milhões. Além do remédio, que não está liberado no Brasil, Arthur ainda precisa viajar para os Estados Unidos para seguir o tratamento, o que eleva os custos.
“Estamos chegando a quase R$ 1 milhão agora”, afirmou a mãe.
No início deste ano, um dos doadores entrou em contato com a família ao perceber que, por um engano, a transferência feita por ele não havia sido enviada para a conta oficial da campanha. O doador informou à família que a chave PIX para a qual o o dinheiro foi enviado não estava no nome da criança.
O doador digitou incorretamente o e-mail da chave oficial, mas mesmo assim a transferência foi concluída. Ele descobriu que o valor havia sido enviado para outra pessoa — alguém que havia registrado chaves PIX semelhantes para receber valores de quem errasse a digitação durante doações ajudar a família.
A família acionou a Polícia Civil, que identificou o suspeito. O delegado Felipe Orosco informou que os investigadores encontraram outras chaves PIX semelhantes às utilizadas na campanha.
O suspeito, Henrique Santos de Moreira, de 22 anos, foi localizado em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo.
Em depoimento, afirmou ter usado dez e-mails diferentes como chaves PIX, recebendo aproximadamente R$ 4 mil. Ele foi indiciado por estelionato qualificado e responde em liberdade. O Fantástico não conseguiu contato com o advogado de Henrique.
Diante da recorrência de crimes envolvendo o PIX, o Banco Central implementou atualizações no sistema. Agora, é possível rastrear o caminho do dinheiro por até cinco contas usadas em golpes.
Segundo Breno Lobo, do Departamento de Competição e Estrutura do Mercado Financeiro do BC, a nova medida está permitindo detectar outras contas que também são usadas em fraudes e bloquear os recursos nessas contas.
Desde outubro do ano passado, vítimas podem contestar a operação diretamente no aplicativo do banco. Lobo orienta que os usuários sempre verifiquem nome, CPF ou CNPJ do recebedor antes de confirmar a transferência.
Mesmo após o episódio, a família mantém a campanha para custear o tratamento de Arthur. A mãe reforça a esperança:
“Meu filho vai viver. O Arthur Sorocaba ainda vai ter uma vida muito feliz.”
*G1/ Fantástico