Quinta-Feira, 19 de fevereiro de 2026
Quinta-Feira, 19 de fevereiro de 2026
Em entrevista a grupo de jornalistas brasileiros, Christian Meunier, presidente da Nissan nas Américas, comenta a reestruturação global da montadora e os investimentos recentes na fábrica de Resende (RJ).
Em 2025, o mercado brasileiro foi tomado por carros chineses importados, o que gerou tensões com as fabricantes que já produzem no país. Para Christian Meunier, presidente da Nissan nas Américas, o governo brasileiro deveria adotar medidas para proteger a indústria nacional por meio de tributação.
“No fim das contas, o governo brasileiro precisa proteger a indústria no Brasil, as pessoas que trabalham no Brasil e a cadeia de suprimentos no Brasil”, disse Meunier, em entrevista a um grupo de jornalistas brasileiros do qual o g1 fez parte.
“Não faz sentido permitir que carros importados sejam despejados no Brasil e compitam com os carros produzidos localmente.”
O executivo citou uma medida recente do México como exemplo. O país passou a aplicar taxas sobre importações da China e de outros parceiros comerciais, assim como fez o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A medida não impacta as relações mexicanas para o Brasil no setor automotivo. Os produtos seguem isentos de taxas, conforme o acordo ACE-55, firmado em 2002 entre o México e o Mercosul.
Para os demais, as tarifas variam conforme o tipo de produto e vão de 5% a 50%, atingindo 1.463 itens de 17 setores. Entre eles estão carros e autopeças, vestuário, plásticos, produtos siderúrgicos e eletrodomésticos, com foco em países com os quais o México não tem acordos comerciais firmados.
“Há a necessidade de eles [o México] reagirem a isso: ‘Ok, se você produzir um certo volume de carros no México, então estará isento para alguns carros que importar da China; mas, se não produzir no México, terá de pagar uma tarifa de 50%’. E eu acho que o Brasil deveria fazer o mesmo”, disse o executivo.
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Fábrica da Nissan em Resende (RJ) — Foto: Divulgação/Nissan
Meunier afirma que a localização da produção é parte importante do negócio da Nissan. Ele relembrou a experiência anterior na Stellantis, onde foi presidente global da Jeep e integrou o comitê executivo do grupo, que também reúne a Fiat.
“A força da Fiat e da Jeep é ser local. É isso que estamos fazendo sob a minha liderança: localizar o máximo possível. E localizar não significa apenas produzir, mas também ter peças fabricadas no Brasil. Esse é o segredo para ser bem-sucedido aqui”, afirma Meunier.
Os sedãs Versa e Sentra, além da picape Frontier, continuam sendo importados do México. Ainda assim, a Nissan enxerga a fábrica de Resende como um polo de exportação, com foco em países vizinhos. Para isso, investiu recentemente R$ 2,8 bilhões na planta brasileira.
Parte desse investimento foi destinada ao desenvolvimento e à produção do novo Nissan Kait. Além de abastecer o mercado brasileiro, a Nissan também produz o SUV para mais de 20 países da América Latina.
A Nissan passa por uma reestruturação profunda, que incluiu a troca da equipe de diretores globais. Segundo Meunier, a mudança busca resgatar o “espírito de luta” da marca.
“Basicamente, toda a equipe executiva mudou, e isso era necessário. Era necessário porque eu acho que a empresa se perdeu por um período, e uma nova energia era exigida para recuperar a força e o espírito de luta da Nissan”, disse o presidente.
Segundo o executivo, o plano tem foco em eficiência, redução de custos fixos e variáveis e melhor aproveitamento dos mercados estratégicos.
Na região das Américas, a empresa conseguiu reduzir US$ 1 bilhão em custos fixos e outros US$ 1 bilhão em custos variáveis entre os anos fiscais de 2024 e 2025.
Os custos fixos incluem despesas com fábricas, pessoal, programas e publicidade, enquanto os custos variáveis estão diretamente ligados à produção dos veículos, como peças e insumos.
De acordo com Meunier, a redução de custos ocorreu a partir de alguns pontos-chave:
A Nissan mantém desempenho praticamente estável desde 2020, quando respondeu por 3,13% dos emplacamentos de veículos zero km no Brasil. Em 2025, a participação da marca fechou em 3,05%. Os dados são da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).
O cenário poderia ser considerado positivo, não fosse o fato de a Nissan ter sido superada por Honda e BYD em 2024 — movimento que se manteve nos dados de janeiro deste ano, com os seguintes números de emplacamentos:
O Kicks, que chegou a ocupar a quarta posição entre os SUVs mais vendidos do Brasil em 2024, terminou 2025 na sétima colocação. A queda ocorreu no período em que o modelo teve o preço reajustado após a atualização:
*G1/São Paulo