Terça-Feira, 31 de março de 2026
Terça-Feira, 31 de março de 2026
Texto prevê subsídio temporário de até R$ 3,5 bilhões e divisão de custos entre União e estados
MP deve estabelecer uma subvenção total de R$ 1,20 por litro de diesel importado (Imagem: Angélica Alves/Fotoarena/Estadão Conteúdo)
O governo federal deve publicar nesta terça-feira uma MP (medida provisória) que cria um auxílio adicional para a importação de óleo diesel. A iniciativa busca mitigar os impactos da alta global dos combustíveis e garantir maior estabilidade no abastecimento, especialmente no setor de transporte e logística.
A proposta prevê um subsídio temporário ao diesel importado. De acordo com o desenho da medida, o programa terá vigência de dois meses e custo estimado entre R$ 3 bilhões e R$ 3,5 bilhões.
A MP deve estabelecer uma subvenção total de R$ 1,20 por litro de diesel importado. Desse total, União e estados ficarão responsáveis cada um por R$ 0,60, em um modelo de cooperação federativa para reduzir o custo final do combustível.
O texto também deve garantir que, mesmo que um estado decida não participar do programa, a União continuará repassando sua parte do subsídio à população local.
Nesses casos, não haverá redistribuição da parcela estadual entre outras unidades da Federação. A eventual diferença no valor do subsídio poderá gerar distorções regionais, e a situação deve ser levada ao presidente da República, que decidirá sobre possíveis medidas adicionais.
Alta de 20,3% devido à guerra
O Brasil ainda depende da importação para cerca de 30% do diesel consumido no país, o que torna o mercado interno mais sensível às oscilações externas.
Desde o dia 28 de fevereiro, quando começou o conflito entre Irã e Estados Unidos, o preço médio do litro do diesel disparou 20,3% nas bombas (alta de R$ 1,42).
Segundo levantamento da ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), na última semana de fevereiro, o valor médio do litro do combustível era de R$ 6,03. Na última sexta-feira (27), esse preço chegou a R$ 7,45.
Avaliação dos estados
A proposta do governo foi apresentada aos secretários de Fazenda dos estados e do DF na última sexta-feira.
Não houve um anúncio formal de adesão à medida, e alguns estados chegaram à reunião com posições mais contrárias ou com um “viés no sentido negativo”, segundo o secretário de Fazenda de São Paulo, Samuel Kinoshita.
Contudo, ele destacou que o longo debate e as garantias dadas pelo Ministério da Fazenda (como o limite de dois meses e o teto de gastos) promoveram uma forte convergência. Além disso, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, disse que “um conjunto grande e significativo de estados” já sinalizou apoio à proposta.
“É a hora da gente se unir em casa, se unir todo mundo para enfrentar um problema que é externo, mas que nos afeta. Se a sociedade estiver junta nesse momento, eu acho que o país ganha muito”, disse ele em entrevista à imprensa.
*R7/Brasília