Domingo, 04 de janeiro de 2026
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Estudo do Ifes reaproveita frutas que seriam descartadas, reduz desperdício e pode gerar renda extra para produtores rurais. Hoje, cerca de 10% da colheira é desperdiçada.
Banana que iria para o lixo vira amido que pode abastecer indústria no Espírito Santo (Imagem: Reprodução/ TV Gazeta)
Uma pesquisa do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) quer transformar a forma como a banana é aproveitada no estado. O estudo utiliza a fruta que seria descartada para produzir amido. O objetivo é evitar o desperdício, gerar renda e abastecer a indústria alimentícia.
Atualmente, os produtores de banana perdem cerca de 10% da colheita. Aquelas frutas que estão fora do padrão de venda, ou seja, pequenas, machucadas ou danificadas durante o manuseio, costumam virar adubo ou alimento para animais.
Apesar desse reaproveitamento, grande parte ainda vai para o lixo. A pesquisa - desenvolvida em parceria com o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) - pretende mudar essa situação, criando uma nova cadeia produtiva a partir do fruto descartado.
"O impacto seria enorme porque essas bananas que hoje viram adubo, poderiam ser aproveitadas na produção de farinha ou amido, reduzindo o desperdício", explicou o extensionista do Incaper, Alciro Lazzarini.
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Banana que iria para o lixo vira amido que pode abastecer indústria no Espírito Santo — Foto: Reprodução/ TV Gazeta
Segundo o extensionista, o amido produzido pode abrir portas para o setor industrial e trazer benefícios diretos aos agricultores.
"Com essa produção, poderíamos ter empresas gerando empregos e renda extra para os produtores. Considerando uma perda média de 10%, isso poderia significar até mil reais a mais por mês para cada produtor. Além disso, a indústria ajudaria a regular os preços do mercado", completou.
A fruta é plantada em 75 das 78 cidades do Espírito Santo. O município campeão em produção é Alfredo Chaves, na Região Serrana, com uma produção que ultrapassa 44 toneladas por ano, em uma área de 3.200 hectares, segundo o Incaper.
Boa parte da produção de bananas em Alfredo Chaves vem da agricultura familiar. Seu Antônio Carlos Petri cultiva banana-prata há muitos anos, junto com o irmão, e diz que a atividade garante renda para diversas famílias.
“A cultura da banana é tradicional aqui no município. A gente tem um carinho especial porque ela distribui renda o ano todo. Banana é muito importante para nós”, contou o produtor.
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Banana que iria para o lixo vira amido que pode abastecer indústria no Espírito Santo — Foto: Reprodução/ TV Gazeta
Otimista, ele explica que a produtividade da propriedade deve aumentar. "O meu bananal ainda é novo, mas a gente produz cerca de 40 toneladas por ano em dois hectares. A partir do segundo ciclo, a produção deve aumentar", afirmou.
O Espírito Santo está entre os maiores produtores de banana do Brasil, com colheita o ano inteiro. Segundo o Incaper, são 28.600 hectares plantados e uma produção média anual de 400 mil toneladas.
O fruto abastece principalmente os mercados de Santa Catarina, Goiás, Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro.
"O Espírito Santo tem cerca de 28.600 hectares plantados, com uma produção anual de 400 mil toneladas. A maior parte é consumida in natura, entre as variedades prata e outros tipos", explicou Lazzarini.
Com a nova pesquisa, os frutos descartados no campo podem ganhar mais um destino e os produtores mais uma opção de renda.
*G1