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Quinta-Feira, 26 de fevereiro de 2026

Educação

Censo escolar: Brasil tem o menor número de alunos no ensino médio desde 2001

Estado de São Paulo registrou perda de mais de 250 mil alunos do ensino médio em apenas um ano. País tem redução de atendimento na creche e mostra estagnação preocupante no atendimento a crianças de 0 a 3 anos.

Censo escolar: Brasil tem o menor número de alunos no ensino médio desde 2001

(Imagem: Divulgação )

Entre 2024 e 2025, o número de matrículas na educação básica brasileira apresentou uma queda vertiginosa de mais de 1 milhão: despencou de 47,08 milhões para 46,01 milhões. É o que mostram os dados do Censo Escolar 2025, divulgados nesta quinta-feira (26) pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

➡️Em termos absolutos, foi uma perda ainda maior do que a observada entre 2020 e 2021, durante a pandemia de Covid-19. O fechamento prolongado de escolas e as crises sanitária e econômica levaram a uma queda de 600 mil: de 47,2 milhões para 46,6 milhões.

O total refere-se ao número de alunos em todas as etapas escolares: creche, pré-escola, ensino fundamental, ensino médio, curso técnico, curso de qualificação profissional e Educação para Jovens e Adultos - EJA.

Os principais elementos que culminaram nesse “encolhimento” em 2025 foram:

  • redução drástica nas matrículas do ensino médio, com o menor número de alunos de toda a série histórica do Censo no século XXI (São Paulo, por exemplo, “perdeu” mais de 250 mil estudantes em um ano, segundo o Inep);
  • retração da educação infantil, tanto na creche quanto na pré-escola, mostrando estagnação preocupante no atendimento às crianças;
  • enfraquecimento da Educação para Jovens e Adultos (EJA);
  • diminuição do ensino técnico subsequente (modalidade cursada após a conclusão do ensino médio, mas que, ainda assim, é contabilizada como parte da educação básica).
 

De acordo com Fábio Pereira Bravin, pesquisador da equipe de Diretoria de Estatísticas Educacionais do Inep, a diminuição no número de matrículas é justificada por uma redução na população-alvo da educação básica, em especial a população de 0 a 4 anos e de 15 a 17 anos.

Veja, logo após o gráfico, os detalhes de cada item e entenda o “raio-X” da educação de 2025.

Gráfico mostra queda no número de matrículas na educação básica — Foto: Arte/g1

Gráfico mostra queda no número de matrículas na educação básica — Foto: Arte/g1

Ensino médio: menor número de alunos de todas as edições do Censo no século XXI, com abismo maior em SP

 

Apesar das iniciativas do Ministério da Educação (MEC) para combater a evasão escolar no ensino médio, como o Pé-de-Meia (auxílio financeiro pago aos jovens que frequentam o colégio) e o Novo Ensino Médio (mudanças curriculares para aproximar os adolescentes da escola), o número de matrículas diminuiu em 2025 e atingiu o menor patamar do século XXI.

As variações entre 2024 e 2025 foram as seguintes, segundo o Censo Escolar:

  • Rede Pública: Queda de aproximadamente 6,30%. O número de alunos passou de 6.759.848 para 6.334.224.
  • Rede Privada: Aumento de cerca de 0,59%. As matrículas subiram de 1.030.548 para 1.036.655.
  • Total: Considerando ambas as redes, a redução foi de aproximadamente 5,39%, caindo de 7.790.396 para 7.370.879 matrículas.
 

Tanto em números absolutos quanto em percentuais, São Paulo teve a queda mais assustadora no número de matrículas do ensino médio: em apenas um ano, o estado perdeu 251.987 alunos (13,6%). Nos dados do Inep, a princípio, não há menção a nenhuma mudança metodológica do Censo que justifique essa redução tão acentuada.

Ensino médio teve queda no número de matrículas — Foto: Arte/g1

Ensino médio teve queda no número de matrículas — Foto: Arte/g1

Considerando os 26 estados e o Distrito Federal, essa etapa escolar apresentou diminuição no número de matrículas em todos os entes federados, com exceção do Amapá (+ 0,84% alunos de 2024 a 2025), do DF (+0,53%) e de Pernambuco (+0,42%).

São Paulo apresentou queda acentuada no número de matrículas — Foto: Arte/g1

São Paulo apresentou queda acentuada no número de matrículas — Foto: Arte/g1

Desde 2001, a tendência histórica das matrículas no ensino médio mudou: começou com um crescimento inicial bem significativo, com pico histórico de 9,16 milhões em 2004, seguido por um declínio gradual, atingindo em 2025 o patamar mais baixo em mais de duas décadas (7,3 milhões).

A rede pública, que chegou a ter 8 milhões de alunos em 2004, registrou apenas 6,3 milhões em 2025. Já a rede privada manteve-se relativamente estável ao longo do período, sempre em torno de 1 milhão de matrículas, com uma leve tendência de recuperação nos últimos quatro anos.

O crescimento discreto das escolas particulares não foi suficiente para cobrir o buraco da rede pública: o saldo aponta para uma redução total de cerca de 1 milhão de matrículas no ensino médio neste quarto de século.

Outras etapas também apresentam dados preocupantes:

Educação infantil: Brasil mostra estagnação no acesso às creches e à pré-escola

 

A educação infantil é composta por:

  • creche (0 a 3 anos)
  • e pré-escola (4 e 5 anos, fase obrigatória).
 

No total, houve um recuo de 205.712 matrículas (-2,17%), sendo 200.667 apenas na pré-escola.

Esta etapa, por sinal, na rede pública, apresentou o menor índice desde 2018. O número de estabelecimentos também diminuiu: em apenas um ano, de 2024 a 2025, foram 1.126 pré-escolas a menos na rede pública e 250 a menos na rede privada.

Censo traz dados que mostram retração na educação infantil — Foto: Arte/g1

Censo traz dados que mostram retração na educação infantil — Foto: Arte/g1

Justamente pelas faixas etárias atendidas, a educação infantil é a fase mais suscetível a mudanças demográficas de curto prazo (depende do número de crianças nascidas nos anos anteriores).

Mas o Plano Nacional da Educação (PNE), por exemplo, estabelece metas que levam em conta a porcentagem de alunos matriculados, e não o número absoluto deles. O Brasil não cumpriu os objetivos previstos até dezembro de 2024:

  • Acesso à creche (Pnad Contínua 2024): 39,7% (meta era de 50%);
  • Acesso à pré-escola (Pnad Contínua 2024): 93,4% (meta era de 100%).
 

Como o acesso à creche já estava muito baixo, o esperado era que, mesmo diante de qualquer oscilação demográfica, o número de matrículas aumentasse de 2024 a 2025. E não foi o que ocorreu: houve uma redução de aproximadamente 5 mil.

“O Brasil precisa avançar muito. O fato é que estamos estagnados. No novo PNE, que está em discussão no Congresso, a meta deve subir para 60% nas creches”, afirma Gabriel Corrêa, diretor de políticas públicas da ONG Todos Pela Educação.
 

Pelas projeções populacionais com base no DataSUS e no Censo do IBGE, o país terá de aumentar em mais de 1 milhão as matrículas nas creches na próxima década (ou seja, mais de 100 mil novas matrículas por ano, em média) para atingir o objetivo do PNE.

“Se não entendermos que é preciso ter política pública articulada com os municípios para aumentar o atendimento, especialmente dos mais vulneráveis, ficaremos novamente longe da meta daqui a 10 anos.”

Educação de Jovens e Adultos (EJA) tem redução de turmas e de alunos

 

A Educação de Jovens e Adultos (EJA) teve uma queda de 5,8% no número de matrículas em 2025, em relação ao ano anterior. Só no ensino médio, foram cerca de 130 mil matrículas a menos: de 976.390 em 2024 para 845.627 em 2025.

  • Mesmo com um aumento no número de escolas que ofertam a EJA (801 novos estabelecimentos), a modalidade teve, no total, 734 turmas a menos em comparação com 2024.
  • A etapa integrada à educação profissional com formação inicial continuada (FIC) também recuou: 3,94% de matrículas a menos.
  • Já o curso técnico integrado ao EJA, uma nova modalidade apresentada no Censo Escolar 2025, teve 56.946 matrículas.
 

Ensino Técnico para quem já se formou no ensino médio 'encolhe'; ensino fundamental tem redução mais discreta

 

O ensino técnico pode ser ofertado de três formas:

  1. Integrado – ensino médio + técnico juntos, na mesma matrícula;
  2. Concomitante – ensino médio e técnico ao mesmo tempo, mas com matrículas separadas (o aluno pode cursar em escolas diferentes, por exemplo);
  3. Subsequente – técnico feito depois de concluir o ensino médio.
 

Dos três, apenas o subsequente apresentou queda. De todas as etapas da educação básica, foi a maior diminuição proporcional (de 16,25%, com 161.410 alunos a menos entre 2024 e 2025).

Observação: O técnico subsequente é considerado pelo Inep como parte da educação básica, porque é uma modalidade da educação profissional de nível médio (ou seja, não é ensino superior).

  • Ensino fundamental
 

Houve uma redução de 195.589 alunos entre 2024 e 2025. É um declínio proporcionalmente menor (-0,75%) ao registrado pelas etapas acima, devido ao grande volume total de matrículas do 1º ao 9º ano.

*G1