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Quarta-Feira, 04 de março de 2026

Esportes

Gabigol abre jogo sobre pênalti perdido e evita nova polêmica com Tite

Atacante já tornou públicas insatisfações com treinador contratado pelo Cruzeiro

Gabigol abre jogo sobre pênalti perdido e evita nova polêmica com Tite

(Imagem: Marcello Zambrana/AGIF)

Principal alvo no noticiário do Cruzeiro na semana, Gabigol falou pela primeira vez sobre o pênalti perdido contra o Corinthians, na Copa do Brasil, e também sobre a contratação de Tite pela Raposa, em entrevista ao Podpah. O atacante tem histórico de insatisfações com o treinador.

   

Gabigol teve nos pés a chance de definir a classificação do Cruzeiro para a final da Copa do Brasil, no último domingo, mas parou em defesa do Hugo Souza. O atacante não se eximiu do erro, mas apontou dois fatores que influenciaram: o período de treinamentos com o goleiro no Flamengo e a baixa minutagem em campo antes da cobrança.

- Eu errei, tenho que assumir. Primeira vez que erro um pênalti tão decisivo. É muito complicado para os dois lados, porque treinamos juntos. Eu assumo que errei, não tenho desculpa. Ele sabe como eu bato, eu sei como ele poderia defender.

"Mas eu bati mal, não tenho desculpa. Se tiver um pênalti amanhã, vou bater de novo."
 

Gabriel estava no banco de reservas e foi acionado já nos acréscimos, na vaga de Kaio Jorge, para ser um dos batedores. Ele, inclusive, é o cobrador oficial da equipe. O atacante também assumiu uma revolta com narrativas que apontam um erro proposital.

- Combinamos que se o Corinthians perdesse mais um, eu iria bater o quarto para tentar acabar logo. Tinha confiança dos jogadores em mim.

"Entrei faltando três minutos. Isso influenciou? Acho que sim. Nem toquei na bola, estava meio frio, mas eu errei. Não tenho problema em assumir."
 

- Falar uma coisa dessa (que o erro foi proposital) é barbaridade. O que eu ia ganhar perdendo um pênalti? Pior, talvez, sejam as pessoas acreditarem. Isso que me deixa revoltado.

Tite comemora com Gabigol a virada do Brasil sobre a Venezuela — Foto: Lucas Figueiredo / CBF

Tite comemora com Gabigol a virada do Brasil sobre a Venezuela — Foto: Lucas Figueiredo / CBF

Parte da torcida do Cruzeiro também criticou Gabigol pelas reações após o pênalti, especialmente por ter deixado a NeoQuímica Arena sozinho e não ter voltado para Belo Horizonte.

- O que eu mais queria era ir para perto da minha família e dos meus amigos, porque eu errei. A gente estava liberado. Não fui o primeiro a sair do vestiário. Tomei banho, conversei com o Walace, com o Kaio. Falei que queria ficar em casa, com minha família.

"Não fazia sentido ir para BH, depois voltar, só para mostrar para a torcida que estava triste. Não preciso mostrar. As vezes as pessoas esperam reação eufórica para tudo, mas não sou esse cara. O meu jeito é treinar, melhorar e ir para o próximo, não é chorar, me ajoelhar."
 

E o Tite?

 

Gabriel ainda se tornou foco maior do noticiário por conta do acerto do Cruzeiro com Tite para substituir Leonardo Jardim. O atacante, em mais de um momento da carreira, tornou públicas insatisfações com o experiente treinador, que o comandou na seleção brasileira e no Flamengo.

Questionado sobre a situação, Gabigol evitou polemizar e disse que seguirá trabalhando de forma natural. Ele tem contrato com o Cruzeiro até o fim de 2028.

- A situação é muito clara, até o Pedrinho brincou na apresentação (risos). Ele é o treinador do time. Não tenho nada contra ele. Dei minha opinião, ele tem a dele, mas estamos pelo Cruzeiro. É sobre o grupo, sobre o Cruzeiro ganhar, e ele sabe, porque a gente viveu no Flamengo.

"Não tivemos problemas, discussão no Flamengo. Respeito ele, como respeito todos. Ele quem vai mandar, eu sou o jogador, e o que tiver que fazer para ajudar o Cruzeiro, eu vou fazer."
 

A brincadeira de Pedro Lourenço, citada por Gabigol, aconteceu na apresentação dele como jogador do Cruzeiro. O mandatário disse, em janeiro, que a única ressalva para fechar o acordo foi em relação a Tite: "Se fosse para vir um técnico, ele não viria".

A possibilidade de saída de Gabigol do Cruzeiro começou a ser assunto antes mesmo da chegada de Tite, por conta do desejo do jogador por mais minutos em campo. O atacante diz que permanecer na Toca é prioridade e que chegou ao clube para projeto de longo prazo.

"Fechei com o Cruzeiro para um projeto de quatro anos. Claro que as coisas podem ser conversadas e resolvidas, mas meu empresário não me deixa mentir. Ele não falou com nenhum time. Claro que teve time que procurou no meio do ano, mas sair nunca foi uma opção. A minha reapresentação é no dia 2."
 

- Estou de férias, as coisas podem ser conversadas em algum momento. Quando falei, as pessoas levaram para o lado de que eu conversaria para sair. Mas todos os jogadores conversam com a diretoria. É difícil para mim, não vou ficar respondendo todos os dias. Meu foco sempre foi o Cruzeiro.

Polêmicas com o técnico

 

O atacante e o novo técnico do Cruzeiro têm uma rusga que começou ainda na seleção brasileira. Tite não convocou Gabigol para a Copa do Mundo de 2022 e foi alvo de críticas da torcida do Flamengo, que cantou: : "Ô, Tite, vai se f..., o Gabigol não precisa de você". À época, o atacante pegou o microfone e respondeu: "Eu já jogo em uma Seleção".

No ano seguinte, Tite foi contratado como treinador do Flamengo. Gabriel Barbosa foi perdendo espaço no Rubro-Negro, ganhando status de reserva. Entre outubro de 2023 a setembro de 2024, Gabigol disputou 37 jogos, sendo 33 começando como reserva, e fez quatro gols.

O atacante voltou a ser titular sob o comando de Filipe Luís e fez dois gols na final da Copa do Brasil em que o Rubro-Negro foi campeão em cima do Atlético-MG. Na despedida, cutucou o treinador:

"Eu tive um ano praticamente que não joguei, um ano muito difícil para mim. A questão do doping, a questão de um treinador também, que não contava comigo. E no dia a dia é muito mais complicado do que contar a história no final"

*GE