Sábado, 14 de fevereiro de 2026
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Depois de 35 dias de atraso, venezuelano se reapresentou com grave lesão somando mais uma insatisfação à lista de questões disciplinares
José Martínez jogador do Corinthians comemora seu gol durante partida contra o Juventude (Imagem: Anderson Romão/AGIF)
O volante José Martínez encerrou sua trajetória no Corinthians de uma maneira que marcou a sua trajetória de um ano e meio pelo clube: com polêmica por questões disciplinares.
Não foi a primeira vez que Martínez se reapresentou com atraso. Em outubro do ano passado, o venezuelano faltou a seis dias de treinamento após três dias de folga. Como punição, teve um desconto no salário e precisou pagar uma multa para uma caixinha do elenco.
No mês seguinte, Martínez voltou a ser punido, em razão de uma expulsão em um jogo contra o Cruzeiro, no qual ficou apenas 17 minutos em campo. Ele entrou no segundo tempo e recebeu o cartão vermelho por acertar uma cotovelada nas costas do adversário.
Desta vez, os fatos foram ainda mais graves. Martínez demorou 35 dias para aparecer no CT Joaquim Grava, com a justificativa de que demorou a obter um novo passaporte e conseguir voltar da Venezuela, e se reapresentou com uma ruptura do ligamento cruzado anterior (LCA) do joelho esquerdo.
Depois da vitória por 2 a 0 contra o Red Bull Bragantino, na última quinta-feira, o executivo Marcelo Paz confirmou a rescisão de Martínez.
— O Corinthians teria a possibilidade, tinha fatos, para fazer uma rescisão indireta, término de contrato unilateral, mas nós optamos por algo amigável e conversado, entendendo o lado humano do jogador e o legado que deixa no clube.
— Quando (Martínez) esteve aqui, honrou a camisa. Porém, a questão disciplinar está acima. O clube não poderia deixar passar batido uma situação como esta, que vai contra o que o clube pensa, de comportamento, de conduta, de como honrar as coisas do Corinthians — justificou o dirigente.
Foi o desfecho de uma incômoda ausência que se arrastou desde o início da temporada e que causou insatisfação da comissão técnica, do departamento de futebol e da diretoria.
Quando o elenco se reapresentou, em 3 de janeiro, o Corinthians informou que Martínez permanecia na Venezuela porque aguardava a emissão de um novo passaporte. Soube-se depois que o documento antigo dele tinha ficado sem páginas em branco para carimbos de imigração.
Coincidentemente, no mesmo dia da reapresentação, os Estados Unidos atacaram a Venezuela e tiraram do poder e capturaram o presidente Nicolás Maduro. A situação política prejudicou o funcionamento do serviço público naquele país.
A ausência fez a insatisfação interna crescer à medida que se prolongou. O técnico Dorival Júnior chegou a lamentar publicamente a indefinição sobre o retorno do jogador e se incomodou ainda mais quando não teve mensagens respondidas pelo venezuelano.
Entretanto, o Corinthians soube depois que o jogador só conseguiu dar entrada no pedido do documento em 13 de janeiro, dez dias após a reapresentação.
A benevolência que dirigentes e integrantes da comissão técnica tentaram demonstrar de início se esvaiu com o tempo.
Quando o meio-campista voltasse ao Brasil, era certo que alguma punição seria aplicada. O que ninguém esperava é que, no retorno, Martínez se apresentaria lesionado.
Foi Dorival quem revelou a informação: o venezuelano, que desembarcou no Brasil em 6 de fevereiro, estava entregue ao departamento médico. Assim que chegou ao CT, no dia 7, o jogador informou que sentia dores no joelho.
A notícia da grave lesão no joelho, que provavelmente o tiraria do restante da temporada, caiu como uma bomba no clube do Parque São Jorge na última terça-feira.
Os dirigentes precisaram acionar o departamento jurídico para decidir o que fazer. Foram levados em conta o histórico de indisciplinas, a disputa de uma partida festiva na Venezuela durante as férias, a dificuldade de comunicação com o jogador durante a ausência e a pressão da torcida pela demissão.
Optou-se pela rescisão. Não havia mais clima para Martínez continuar jogando pelo Corinthians.
O clube e o estafe do jogador costuraram uma rescisão amigável: Martínez terá a cirurgia bancada pelo Timão e receberá 30% dos salários de fevereiro a dezembro deste ano, mas abrirá mão do que teria a receber em todo o ano de 2027 - quando acabaria o contrato dele.
Encerrou-se, assim, uma trajetória que teve 70 partidas disputadas, dois gols, duas assistências e dois títulos - Campeonato Paulista e Copa do Brasil em 2025. O Corinthians também conquistou a Supercopa Rei, neste ano, mas Martínez estava na Venezuela.
Um dos líderes do elenco, o goleiro Hugo Souza comentou a saída de Martínez na zona mista da Neo Química Arena.
— Pessoalmente falando dele, ficamos tristes. É um amigo, fez história com a gente, ajudou em todo esse processo que passamos aqui. É um cara que vai ficar para sempre junto com a gente. O clube tem normas e regras que precisam ser respeitadas. Se ele não ficar, espero que siga a carreira dele da melhor maneira possível. De alguma forma, a história dele está marcada na história do clube. Espero que isso não manche tudo o que de bom ele fez aqui, espero que tenha todo o sucesso do mundo.