Domingo, 01 de março de 2026
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O ataque conjunto de EUA e Israel ocorreu após semanas de tensas negociações para que Teerã encerrasse seu programa nuclear. Segundo Trump, o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, morreu em um dos bombardeios.
Estados Unidos e Israel realizaram um ataque coordenado contra o Irã neste sábado (28). Segundo o presidente dos EUA, Donald Trump, o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, morreu em um dos bombardeios.
A morte foi inicialmente confirmada pela agência estatal Fars em seu perfil no Telegram. "O líder supremo da Revolução foi martirizado", diz a publicação. O gabinete de governo declarou 40 dias de luto nacional e 7 dias de feriado geral.
Em uma rede social, Trump havia confirmado mais cedo a morte de Khamenei, e disse que o aiatolá não conseguiu escapar dos sistemas de inteligência e rastreamento dos EUA em parceria com Israel.
“Khamenei, uma das pessoas mais malignas da História, está morto. Isso não é apenas justiça para o povo do Irã, mas para todos os grandes americanos e para pessoas de muitos países ao redor do mundo que foram mortas ou mutiladas por Khamenei e seu bando de capangas sanguinários”, escreveu Trump.
Veja abaixo, em tópicos, tudo o que se sabe sobre o ataque e suas consequências.
Pela manhã, explosões foram registradas na capital, Teerã, e em diversas outras cidades iranianas. Em resposta, o Irã disparou mísseis contra Israel e atacou bases americanas no Oriente Médio.
O ataque ocorreu após semanas de negociações tensas e pressão dos EUA para que Teerã encerrasse seu programa nuclear.
O que se sabe do ataque de EUA e Israel:
O que se sabe sobre a retaliação do Irã:
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Mapa mostra os locais dos ataques no Irã e da retaliação — Foto: Arte/g1
A escalada militar entre Irã, EUA e Israel tem como pano de fundo uma disputa antiga: o programa nuclear iraniano.
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o objetivo do ataque é destruir o programa nuclear iraniano e proteger o povo americano de ameaças.
"Nós garantiremos que o Irã não terá uma arma nuclear", afirmou. "Sempre foi a política dos Estados Unidos, em particular da minha administração, que este regime terrorista nunca poderá ter uma arma nuclear".
Trump considera o programa uma ameaça, embora o governo iraniano negue possuir uma bomba nuclear. Parte da comunidade internacional, incluindo a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), responsável pela fiscalização nuclear no mundo, contesta a versão iraniana.
Essa é a segunda vez em menos de um ano que os EUA atacam o Irã. Em junho de 2025, uma operação norte-americana bombardeou estruturas nucleares iranianas. A ação ocorreu em apoio a Israel, que travava conflito com o país.
O resultado do ataque de nove meses atrás, no entanto, permanece incerto. Na época, o presidente americano disse que as instalações haviam sido destruídas. Em seguida, Rafael Grossi, chefe da Agência Internacional de Energia Atômica, afirmou que os ataques causaram danos graves, embora “não totais”.
Saiba mais na reportagem abaixo.

Programa nuclear iraniano está no centro do confronto com os EUA; entenda
O governo do Irã e a sua mídia estatal confirmou a morte do aiatolá Ali Khamenei ainda no sábado. A morte foi divulgada pela agência Fars em seu perfil no Telegram. "O líder supremo da Revolução foi martirizado", diz a publicação.
O gabinete de governo declarou 40 dias de luto nacional e 7 dias de feriado geral.
"É com profundo pesar e consternação que informamos que, após o ataque brutal do governo criminoso dos Estados Unidos e do regime abjeto sionista, o modelo de fé, luta e resistência, o líder supremo da Revolução Islâmica, sua eminência o grande aiatolá Ali Khamenei, alcançou a grande graça do martírio", diz o texto.
Segundo a agência estatal, Khamenei foi morto em seu local de trabalho na manhã deste sábado, enquanto cumpria os seus deveres no escritório.
"Os meios de comunicação ligados ao regime sionista e à reação regional alegaram repetidamente que, por medo de assassinato, o Líder da Revolução vivia em um local seguro e escondido. Seu martírio em seu local de trabalho provou, mais uma vez, a falsidade dessas alegações e da guerra psicológica do inimigo", completa a nota.
A agência também compartilhou o comunicado das Guardas Revolucionárias do Irã, que lamentou a morte. "O corpo de Guardas da Revolução Islâmica, as Forças Armadas da República Islâmica e o vasto Basij (milícia popular) continuarão poderosamente o caminho de seu guia para defender o precioso legado deste líder supremo e resistirão contra conspirações internas e externas, punindo exemplarmente os agressores da pátria islâmica".
Veja detalhes na reportagem abaixo.

Mídia estatal iraniana confirma morte do líder supremo Ali Khamenei
O presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou os ataques e disse que o objetivo é “defender o povo americano” de “ameaças do governo iraniano”.
“Nós garantiremos que o Irã não terá uma arma nuclear”, afirmou. “Sempre foi a política dos Estados Unidos, em particular da minha administração, que este regime terrorista nunca poderá ter uma arma nuclear.”
Sobre os alvos da operação, Trump disse que os EUA vão “arrasar a indústria de mísseis até o chão”.
Trump alertou que, como resultado da operação militar dos EUA, “podemos ter baixas”. Segundo o jornal “The New York Times”, o general Dan Caine, presidente do Estado-Maior Conjunto, havia alertado Trump em reuniões privadas de que tropas americanas poderiam ser mortas ou feridas em uma guerra com o Irã.
Veja a íntegra do pronunciamento na reportagem abaixo.

Trump confirma ataques ao Irã e diz que objetivo é 'defender o povo americano'
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse que o “Irã não deve ter permissão para se armar com armas nucleares” e que a ofensiva “criará as condições para que o povo iraniano tome as rédeas do próprio destino”.
“Chegou a hora de todos os setores da população do Irã removerem o jugo da tirania (do regime) e construírem um Irã livre e pacífico”, disse Netanyahu em comunicado.
Veja a íntegra do pronunciamento na reportagem abaixo.

'Irã não deve ter permissão para se armar com armas nucleares', diz Netanyahu
Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que o país é alvo de uma “agressão militar criminosa” que coloca em risco a paz mundial e pediu providências à ONU.
“Neste momento, o povo do Irã se orgulha de ter feito tudo o que era necessário para evitar a guerra. Agora é tempo de defender a pátria e enfrentar a agressão militar do inimigo”, diz a nota.
“Assim como estávamos preparados para negociar, estamos ainda mais preparados do que nunca para defender a integridade do Irã. As Forças Armadas da República Islâmica do Irã responderão aos agressores com firmeza.”
Veja a íntegra do pronunciamento na reportagem abaixo.

Irã diz ser alvo de 'agressão militar criminosa' de EUA e Israel
O príncipe herdeiro do Irã, Reza Pahlavi, publicou uma mensagem na rede social X logo após os ataques, dizendo que a “ajuda americana finalmente chegou” e que o “momento de voltar às ruas está próximo”.
“A ajuda que o presidente dos Estados Unidos prometeu ao bravo povo do Irã chegou agora. Trata-se de uma intervenção humanitária; e seu alvo é a República Islâmica, o aparelho de repressão e sua máquina de matar — não o grande país e o grande povo do Irã”, disse.
Durante os protestos de janeiro contra o regime dos aiatolás no Irã, Pahlavi surgiu como possível sucessor de Ali Khamenei. Para alguns, ele é a principal figura da oposição no país.
Ele, que deixou o país na juventude e não retorna ao Irã desde 1978, está longe de ser unanimidade entre analistas e mesmo entre aliados políticos. O jornalista Guga Chacra o descreveu como um “playboy, filho de ditador, que vive no exterior”.
Saiba mais na reportagem abaixo.

'Momento de voltar às ruas está próximo', diz Reza Pahlavi; quem é o filho de ditador que se apresenta como príncipe herdeiro
Os ataques de EUA e Israel ao Irã são mais um capítulo no cenário geopolítico do Oriente Médio. A região, uma das mais conflituosas do mundo desde meados do século XX, também concentra diversas bases militares norte-americanas.
Veja abaixo os principais aliados dos EUA e do Irã na região:
Aliados dos EUA
Aliados do Irã
Saiba mais na reportagem abaixo.

Quem são os aliados de EUA e Irã no Oriente Médio
Líderes da Europa, China, Rússia, Japão, França e outros países se manifestaram sobre os ataques pela manhã.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, classificou os ataques como “extremamente preocupantes”.
“Garantir a segurança nuclear e prevenir quaisquer ações que possam escalar ainda mais as tensões ou comprometer o regime global de não proliferação é de importância crítica”, disse.
O vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, Dmitry Medvedev, criticou Trump e questionou a posição de Washington.
“O ‘pacificador’ mostrou mais uma vez sua face”, disse Medvedev, ex-presidente da Rússia. “Todas as negociações com o Irã são uma operação de fachada. Ninguém duvidava disso. Ninguém realmente queria negociar coisa alguma.”
Saiba mais na reportagem abaixo.

Veja a repercussão dos ataques dos EUA e de Israel contra o Irã
O Itamaraty condenou o ataque conjunto de EUA e Israel ao Irã e afirmou que a negociação entre as partes é o “único caminho viável para a paz”.
"O Governo brasileiro condena e expressa grave preocupação com os ataques realizados hoje (28/2) por Estados Unidos e Israel contra alvos no Irã. Os ataques ocorreram em meio a um processo de negociação entre as partes, que é o único caminho viável para a paz, posição tradicionalmente defendida pelo Brasil na região", afirmou o Itamaraty em nota.
Na manifestação, o Ministério das Relações Exteriores “apela a todas as partes que respeitem o Direito Internacional e exerçam máxima contenção”, a fim de evitar a escalada das hostilidades e assegurar a proteção de civis e da infraestrutura civil.
O Itamaraty afirmou que as embaixadas do Brasil na região acompanham os desdobramentos do conflito e que o embaixador brasileiro em Teerã está em contato direto com a comunidade brasileira para transmitir atualizações sobre a situação e orientações de segurança.
*G1/São Paulo