Segunda-Feira, 23 de março de 2026
Segunda-Feira, 23 de março de 2026
Nesta segunda (23), Donald Trump anunciou uma trégua de cinco dias nos ataques contra a infraestrutura energética iraniana.
Pessoas observam um prédio destruído após um ataque, em meio ao conflito entre os EUA e Israel com o Irã, em Teerã, Irã, 21 de março de 2026. (Imagem: Alaa Al-Marjani/Reuters)
A China pediu nesta segunda-feira (23) que todos os envolvidos no conflito no Oriente Médio — especialmente Estados Unidos e Israel — interrompam as ações militares. O governo chinês alertou para o risco de um “ciclo vicioso” na guerra, que, segundo analistas, pode afetar o crescimento global e reduzir a demanda por exportações chinesas.
O enviado especial da China para o Oriente Médio, Zhai Jun, afirmou que “quem amarrou o sino deve ser o responsável por desamarrá-lo”. A declaração foi feita após uma série de viagens diplomáticas que incluíram Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Kuwait.
Segundo ele, Pequim vai manter comunicação próxima com todas as partes envolvidas e continuar os esforços para reduzir tensões e promover a estabilidade na região.
Em outra coletiva, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Lin Jian, afirmou que o uso da força só agravará o conflito. Ele disse ainda que a guerra “não deveria ter começado”.
“O prolongamento e a intensificação das hostilidades podem mergulhar toda a região no caos”, afirmou.
No sábado (21), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deu um prazo de 48 horas para que o Irã reabra o Estreito de Ormuz ao tráfego marítimo. Ele ameaçou destruir usinas de energia iranianas caso a exigência não seja cumprida.
Ataques iranianos praticamente fecharam a passagem, responsável por cerca de um quinto do transporte global de petróleo e gás natural liquefeito. A situação provocou a pior crise do petróleo desde a década de 1970.
Na manhã desta segunda, Trump anunciou uma trégua de 5 dias com o Irã.
Em post na rede Truth Social, Trump afirmou que representantes dos dois países tiveram "conversas muito boas e produtivas" no fim de semana e que ordenou o adiamento de qualquer ataque contra a infraestrutura energética iraniana.
Embora o governo chinês não tenha detalhado suas preocupações, um conflito prolongado pode afetar as exportações do país.
Economias emergentes, que impulsionam o crescimento das vendas externas chinesas, são mais vulneráveis ao aumento dos custos de energia e à escassez de petróleo.
Segundo relatório do Goldman Sachs, a desaceleração desses mercados deve impactar negativamente as exportações chinesas nos próximos meses.
A China, por outro lado, tem alguma vantagem para lidar com a alta dos preços do petróleo. O carvão ainda representa cerca de 60% de sua matriz energética, além de o país manter estoques elevados de petróleo.
Ainda assim, o aumento nos preços de petróleo e gás pode elevar a inflação e encerrar o período de queda nos preços ao produtor.
O banco revisou para baixo a projeção de crescimento da China no segundo trimestre e elevou a estimativa de inflação para 2026.
Questionado sobre a possibilidade de pressionar o Irã para garantir a passagem segura de navios e cargas chinesas pelo Estreito de Ormuz, Lin Jian disse que o país segue em diálogo com todas as partes e mantém o compromisso de reduzir as tensões.
*Reuters