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Sexta-Feira, 17 de abril de 2026

Internacional

Em meio a embate, Trump e Leão XIV entram pra lista das pessoas mais influentes do mundo

Na última semana, Trump chamou pontífice de 'fraco'. Papa disse que não tem medo do republicano.

Em meio a embate, Trump e Leão XIV entram pra lista das pessoas mais influentes do mundo

Presidente Donald Trump e o Papa leão XIV (Imagem: Reuters / EPA)

Protagonistas de um embate nesta semana, o papa Leão XIV e o presidente dos Estados UnidosDonald Trump, estão na lista da revista Time das 100 pessoas mais influentes do mundo, divulgada nesta quarta-feira (15).

 

No domingo (12), Trump, disse que o Papa Leão XIV é fraco e que sua postura prejudica a Igreja Católica. O republicano afirmou preferir o irmão do pontífice e que não quer "um papa que ache tudo bem o Irã ter uma arma nuclear".

"O papa Leão XIV é FRACO no combate ao crime e péssimo em política externa (...) Eu não quero um papa que ache que tudo bem o Irã ter uma arma nuclear. Não quero um papa que ache terrível que os Estados Unidos tenham atacado a Venezuela. E não quero um papa que critique o presidente dos Estados Unidos", publicou Trump no Truth Social.
 

Apesar das falas do presidente dos EUA, não há registros de que o papa Leão XIV tenha consentido que o Irã tenha uma arma nuclear.

 

A fala foi feita após o papa dizer que se sentia próximo do "amado povo libanês" e pedir um cessar-fogo, com o conflito no Oriente Médio entrando em sua sétima semana.

Em resposta, o pontífice disse não temer o governo de Trump. Norte-americano, Leão XIV afirmou que não estava fazendo um ataque direto contra o republicano ou qualquer outra pessoa com seu apelo geral pela paz e críticas à "ilusão de onipotência" que está alimentando as guerras com o Irã e outros conflitos ao redor do mundo.

"Colocar minha mensagem no mesmo patamar do que o presidente tentou fazer aqui, creio eu, é não compreender qual é a mensagem do Evangelho, e lamento ouvir isso, mas continuarei com o que acredito ser a missão da Igreja no mundo hoje. Não hesitarei em anunciar a mensagem do Evangelho e em convidar todas as pessoas a procurarem maneiras de construir pontes de paz e reconciliação, e a buscarem formas de evitar a guerra sempre que possível”, disse Leão à agência de notícias AP a bordo do avião papal a caminho da Argélia.
 

Papa endureceu o discurso

 

O embate ressaltou a mudança de tom do pontífice nas últimas semanas, que antes apostava em indiretas ou críticas mais discretas às políticas de Trump.

Desde o fim de 2025, no entanto, o papa passou a atenuar o tom:

  • demonstrou preocupação com a situação no Caribe e na Venezuela, mas chegou a sugerir maior pressão econômica contra o regime de Nicolás Maduro, em vez do uso da força;
  • evitou comentar ameaças de Trump contra a Groenlândia e não mencionou a morte de cidadãos americanos em operações antimigratórias em janeiro;
  • em fevereiro, limitou-se a dizer que via com “grande preocupação” as tensões entre Cuba e Estados Unidos e pediu que a violência fosse evitada.
 

Ainda em fevereiro, a agência AFP afirmou que o papa Leão adotava uma abordagem discreta diante do governo Trump. Uma das estratégias seria confiar em críticas feitas diretamente por bispos americanos, enquanto o Vaticano recorria a canais diplomáticos para dialogar com Washington.

“Leão é muito cauteloso. Sabe que a voz do papa é universal. Como americano, é um pouco um opositor natural do trumpismo”, disse à AFP uma fonte do Vaticano, sob condição de anonimato, à época.
 

O tom mudou de vez com a guerra no Irã.

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*G1/São Paulo