Sexta-Feira, 23 de janeiro de 2026
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Primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, citou a coerência com o compromisso de Madri com o direito internacional, a ONU e o multilateralismo como os principais motivos para a recusa.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, discursa durante uma coletiva de imprensa após participar de uma cúpula especial de líderes da União Europeia (Imagem: REUTERS/Yves Herman)
A Espanha recusou o convite do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para fazer parte do "Conselho da Paz" criado por Trump.
O anúncio, foi feito pelo primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, engrossa a lista de países que já recusaram a participação no conselho, uma estrutura criada por Trump para monitorar a paz na Faixa de Gaza e em outras regiões do mundo, além de coordenar a reconstrução do território palestino.
"Agradecemos o convite, mas recusamos", afirmou Sánchez.
Para justificar a recusa, o premiê espanhol citou a "coerência com o compromisso de Madri com o direito internacional, a ONU e o multilateralismo" como os principais motivos para a recusa em participar — a criação do conselho vem sendo vista por parte da diplomacia mundial como uma tentativa de esvaziar a ONU, o principal órgão multilateral do mundo.
Sánchez também criticou o fato do conselho não incluir a Autoridade Palestina.
Cerca de 60 países foram convidados por Trump para participar do Conselho da Paza.
Veja, abaixo, os países que farão parte do Conselho da Paz:
Já declararam que não vão aderir ao órgão:
E ainda não responderam ao convite de Trump:
Com críticas à Organização das Nações Unidas (ONU) e um plano para reconstruir a Faixa de Gaza com uma fila de arranha-céus, Trump lançou oficialmente nesta quinta-feira (22) seu "Conselho da Paz".
➡️ Criada por seu governo para supervisionar a paz na Faixa de Gaza e reconstruir o território palestino, a estrutura é vista por parte da comunidade internacional como uma tentativa de esvaziar a ONU.
Em cerimônia dentro do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, Trump disse que seu conselho terá aval "para fazer tudo o que quisermos" não só em Gaza, e seu governo também apresentou um plano de reconstrução que chamou de "Nova Gaza" (leia mais abaixo).
"Quando esse conselho estiver completamente formado, poderemos fazer praticamente tudo o que quisermos. E faremos isso em conjunto com as Nações Unidas", disse Trump, que será o presidente vitalício do órgão e o único com poder de veto.
Cerca de 30 dos 60 líderes mundiais que aceitaram participar do conselho participaram da cerimônia, como o presidente argentino, Javier Milei — o presidente Lula foi convidado para integrar o Conselho da Paz, mas ainda não respondeu ao convite. Nenhum grande aliado ocidental estava no lançamento.
Em discurso na cerimônia, Trump disse ser um "dia muito empolgante" e voltou a criticar a ONU — que críticos dizem que Trump quer substituir com a criação de seu "Conselho da Paz".
"Eu nunca nem falei com a ONU. Eles tinham um potencial tremendo", afirmou Trump. No entanto, ele disse que seu conselho dialogará "com muitos outros, incluindo a ONU".
Ele disse ainda que o conselho não se dedicará apenas a Gaza, mas começará pelo território palestino, que ele disse que será "desmilitarizado e lindamente reconstruído".
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O presidente dos EUA, Donald Trump, discursa durante o lançamento de seu "Conselho da Paz", em 22 de janeiro de 2026. — Foto: Denis Balibouse/ Reuters
A criação do conselho estava prevista na segunda fase do acordo de paz mediado pelos EUA e assinado por Israel e pelo grupo terrorista Hamas, em outubro do ano passado.
O plano de paz, divulgado pela Casa Branca no fim de setembro, tem 20 pontos e prevê a Faixa de Gaza como uma zona livre de grupos armados e sob o comando de um governo de transição, formado por um comitê palestino tecnocrático e apolítico, que será supervisionado pelo conselho.
A entidade "ajudará a apoiar uma governança eficaz e a prestação de serviços de alto nível que promovam a paz, a estabilidade e a prosperidade do povo de Gaza", anunciou a Casa Branca.
Donald Trump será o presidente inaugural. Com amplos poderes, ele terá a palavra final em votações, pode escolher os países que deseja convidar e também pode revogar a participação de quem o desagradar.
De acordo com o projeto de estatuto do conselho, quem quiser fazer parte do grupo exercerá mandatos de três anos, mas uma taxa bilionária garante a permanência fixa.
"Cada Estado-membro cumprirá um mandato de no máximo três anos a partir da data de entrada em vigor desta Carta, renovável pelo presidente. Este mandato de três anos não se aplicará aos Estados-membros que contribuírem com mais de US$ 1 bilhão em dinheiro para o Conselho da Paz no primeiro ano", diz o documento.
*G1