Segunda-Feira, 02 de fevereiro de 2026
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País se mostrou aberto à possibilidade de receber urânio enriquecido iraniano, como forma de "eliminar pontos de atrito" com outras nações
Porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, durante entrevista coletiva em Moscou (Imagem: REUTERS/Evgenia Novozhenina)
O governo da Rússia afirmou nesta segunda-feira (2) que continua empenhado em reduzir as tensões em torno do Irã e que há muito tempo oferece seus serviços para processar ou armazenar o urânio enriquecido iraniano.
Questionado se estava discutindo com o Irã e os Estados Unidos a possibilidade de receber o urânio enriquecido iraniano, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse: "Este assunto está na agenda há muito tempo".
"A Rússia oferece seus serviços há bastante tempo como uma possível opção que levaria à eliminação de certos pontos de atrito para diversos países", pontuou Peskov.
"Neste momento, a Rússia continua seus esforços, mantém contato com todas as partes interessadas e permanece disposta a reduzir as tensões em torno do Irã da melhor maneira possível", concluiu.
Entenda a tensão entre Irã e Estados Unidos
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar um ataque militar contra o Irã caso o país não negocie um novo acordo nuclear que "seja justo com todas as partes".
O líder americano disse que enviou uma "grande frota" para a região, incluindo o porta-aviões Abraham Lincoln e caças F-35.
Autoridades iranianas, por sua vez, refutaram a ideia de negociar sob ameaça dos Estados Unidos. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse que conversas só poderão ocorrer "em condições em que ameaças e demandas sejam deixadas de lado".
Araghchi também alertou que as Forças Armadas do Irã estão totalmente preparadas para responder “imediata e poderosamente” a qualquer agressão contra o território, o espaço aéreo ou as águas iranianas.
A escalada da tensão entre o Irã e os EUA neste ano teve início com a repressão aos protestos antigovernamentais no início de janeiro no país do Oriente Médio. A população iraniana se revoltou com a inflação desenfreada, tomando as ruas em manifestações contra o regime.
Trump alertou repetidamente que "atacaria com força total" se as autoridades iranianas reprimissem violentamente as manifestações, afirmando que o país estava "pronto e armado".
Durante os protestos, um bloqueio de internet foi imposto no país e mais de 5 mil manifestantes foram mortos, segundo grupos de direitos humanos.
Ali Shamkhani, conselheiro do líder supremo do Irã, afirmou que qualquer ataque dos Estados Unidos seria considerado o "início de uma guerra".
*Reuters