Terça-Feira, 10 de março de 2026
Terça-Feira, 10 de março de 2026
Nações que expulsarem embaixadores de seu território terão direito e liberdade para transitar pela via navegável
A IRGC (Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, na sigla em inglês) afirmou, nesta segunda-feira (9) que qualquer país árabe ou europeu que expulsar embaixadores israelenses e americanos de seu território terá passagem irrestrita pelo Estreito de Ormuz a partir desta terça-feira (10).
Segundo a emissora estatal iraniana IRIB, a IRGC disse que esses países terão o “direito e a liberdade totais” de transitar pela via navegável estratégica se romperem relações diplomáticas com Israel e os Estados Unidos.
Quase um quinto do suprimento mundial de petróleo passa por essa via navegável estreita, de 34 quilômetros de largura, que agora representa um gargalo crítico e de alto risco para os mercados globais.
A guerra entre os EUA e Israel com o Irã elevou os preços do petróleo por dois motivos principais: o fechamento quase total do Estreito de Ormuz e a desaceleração da produção de petróleo no Oriente Médio.
Intenções de Trump
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump disse em entrevista à CBS News nesta segunda-feira (9) que seu governo está “pensando” em assumir o controle do Estreito de Ormuz.
O presidente teria dito à CBS News que o Estreito de Ormuz – um dos pontos energético mais críticos do mundo, que transporta cerca de um quinto dos embarques globais de petróleo – está aberto, mas que a Casa Branca ainda está “pensando em assumir o controle".
Os preços do petróleo dispararam acentuadamente desde o início da guerra com o Irã e oscilam em torno dos 100 dólares por barril.
As Forças Armadas dos Estados Unidos estão elaborando um plano para facilitar a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz, disse o assessor econômico da Casa Branca, Kevin Hassett à CNBC e à Bloomberg Television na sexta-feira (6).
No entanto, ele se recusou a dar detalhes sobre o cronograma.
O tráfego pelo estreito foi praticamente interrompido após o Irã atacar pelo menos cinco navios, com um número limitado de petroleiros transitando, bloqueando uma importante via de navegação responsável por cerca de 20% do fornecimento global de petróleo e GNL.
Um alto funcionário da Guarda Revolucionária Iraniana afirmou em 2 de março que o Estreito de Ormuz estava fechado e alertou que o Irã abriria fogo contra qualquer navio que tentasse passar.
A Guarda Revolucionária disse em 7 de março que havia atingido um petroleiro com bandeira das Ilhas Marshall no Estreito de Ormuz, informou a mídia estatal iraniana, no mais recente ataque desse tipo.
A UKMTO (United Kingdom Maritime Trade Operations) relatou diversos ataques contra navios na região desde 1º de março, incluindo um petroleiro perto do Kuwait e um navio porta-conteineres no Estreito de Ormuz.
Trump afirmou que a Marinha dos EUA poderia escoltar petroleiros pelo Estreito e orientou a Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional dos EUA a fornecer seguro contra riscos políticos e garantias financeiras para a navegação no Golfo, embora armadores e analistas duvidem que isso seja suficiente.
O que está acontecendo no Oriente Médio?
Os Estados Unidos e Israel estão em guerra com o Irã. O conflito teve início no dia 28 de fevereiro, quando um ataque coordenado entre os dois países matou o líder supremo do país, Ali Khamenei, em Teerã.
Diversas autoridades do alto escalão do regime iraniano também foram mortas. Além disso, os EUA alegam terem destruído dezenas de navios do país, assim como sistemas de defesa aérea, aviões e outros alvos militares.
Em retaliação, o regime dos aiatolás fez ataques contra diversos países da região, como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Omã. As autoridades iranianas dizem que têm como alvo apenas interesses dos Estados Unidos e Israel nessas nações.
Mais de 1.200 civis morreram no Irã desde o início da guerra, segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, que tem sede nos EUA. A Casa Branca, por sua vez, registrou ao menos sete mortes de soldados americanos em relação direta aos ataques iranianos.
O conflito também se expandiu para o Líbano. O Hezbollah, um grupo armado apoiado pelo Irã, atacou o território israelense em retaliação à morte de Ali Khamenei. Com isso, Israel tem realizado ofensivas aéreas contra o que diz ser alvos do Hezbollah no país vizinho. Centenas de pessoas morreram no território libanês desde então.
Com a morte de grande parte de sua liderança, um conselho do Irã elegeu um novo líder supremo: Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei. Especialistas apontam que ele não fará mudanças estruturais e representa continuidade da repressão.
Donald Trump mostrou descontentamento com essa escolha, classificando como um "grande erro". Ele havia dito que precisaria estar envolvido no processo e pontuou que Mojtaba seria "inaceitável" para a liderança do Irã.
*CNN