Segunda-Feira, 27 de abril de 2026
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Suspeito, Cole Tomas Allen, expressou intenção de atacar funcionários do governo em mensagem deixada à família
Foto obtida pela CNN mostra Cole Tomas Allen com cobertor térmico após ser detido no sábado, 25 de abril de 2026, no Washington Hilton, após ataque no jantar de correspondentes da Casa Branca (Imagem: Obtida pela CNN)
Um dia após um homem abrir fogo no jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca, as autoridades analisam uma mensagem enviada pelo suspeito do ataque, na tentativa de compreender o que supostamente o levou de uma vida como professor respeitado na Califórnia a se tornar um aspirante a assassino.
“Gostaria de começar pedindo desculpas a todos de cuja confiança abusei”, diz um bilhete que, segundo as autoridades, foi enviado pelo suspeito, Cole Tomas Allen, de 31 anos, de Torrance, Califórnia, que trabalhava meio período como professor e também desenvolvia videogames, segundo registros públicos.
O bilhete, que Allen supostamente enviou a familiares antes do ataque, dizia que ele pretendia atacar funcionários do governo e expressava sua raiva política, observando: “Não espero perdão”.
O suspeito tinha uma tendência a fazer declarações radicais à medida que se envolvia com o ativismo de esquerda em Los Angeles, adquiria armas de fogo e começava a praticar regularmente em um estande de tiro, disse a irmã dele às autoridades, segundo a Casa Branca.
Nos últimos dias, segundo as autoridades, essa conversa se transformou em ação. Ele embarcou em um trem em Los Angeles, viajou para Chicago e depois para Washington, DC, onde se hospedou no hotel no centro da cidade que sediaria o jantar anual com a presença do presidente Donald Trump e de outros altos funcionários do governo.
Ele estava armado com uma pistola semiautomática calibre 38 e uma espingarda calibre 12, afirmaram as autoridades à CNN.
Em seguida, ele teria enviado uma declaração escrita a familiares se autodenominando o "assassino federal amigável" e expressando sentimentos anti-Trump antes de tentar invadir o local do jantar na noite de sábado (25), ultrapassando a segurança.
O suspeito "disparou alguns tiros" e atingiu um agente do Serviço Secreto que usava colete à prova de balas antes de ser rapidamente detido, disse o procurador-geral interino Todd Blanche à CNN. Isso aconteceu enquanto Trump e outros líderes buscavam segurança dentro do salão de baile próximo.
Agora, as autoridades analisam a declaração que Cole supostamente enviou e seu histórico nas redes sociais, que Trump descreveu como "anticristão", ao conversar com familiares e buscar entender melhor o que o motivou a supostamente cometer o ataque violento.
“Ainda estamos tentando entender a motivação. Segundo nossa investigação preliminar, parece que o suspeito tinha como alvo membros do governo”, declarou Blanche.
O bilhete listava uma série de queixas em termos gerais que poderiam levar as autoridades a essa motivação, incluindo indignação com as condições nos centros de detenção e uma aparente referência a Trump como um “traidor”.
O suspeito do ataque é acusado de dois crimes de porte ilegal de arma de fogo e um crime de agressão a um agente federal usando uma arma perigosa, segundo a procuradora dos Estados Unidos para o Distrito de Columbia, Jeanine Pirro, que não divulgou seu nome publicamente.
Blanche afirmou que o suspeito não está cooperando com as autoridades.

A vida acadêmica do suspeito
Allen frequentou o Caltech (Instituto de Tecnologia da Califórnia) de 2013 a 2017, segundo seu perfil no LinkedIn, onde participou da organização Christian Fellowship e do Nerf Club da instituição. Fotos do Facebook de 2016 também mostram Allen em eventos da Christian Fellowship na universidade.
Como estudante, Allen também foi destaque em uma reportagem local em 2017 por desenvolver um protótipo de freio de emergência para cadeiras de rodas.
Ainda segundo seu perfil no Linkedin, ele se formou em 2017 em engenharia mecânica e foi destaque em um anúncio de formatura do Caltech publicado pela universidade, que incluía uma foto dele adulto usando um cardigã e uma foto dele criança, sorrindo e segurando um coelho de pelúcia.
Após se formar, conseguiu um emprego de meio período como professor na C2 Education, uma empresa de preparação para testes e aulas particulares.
A C2 nomeou Allen como o "professor do mês" em dezembro de 2024, de acordo com publicações da empresa nas redes sociais. Ninguém atendeu ao telefone da C2 no final da noite de sábado (25).
Ele também disse que trabalhava como desenvolvedor de videogames e publicou um jogo indie chamado Bohrdom, à venda na plataforma Steam por US$ 1,99. Ele registrou a marca do jogo em 2018, segundo registros federais de marcas registradas.
O jogo é descrito no Steam como um "jogo de luta assimétrico, não violento e baseado em habilidade, vagamente derivado de um modelo de química que, por sua vez, é vagamente baseado na realidade".
Em seu perfil no LinkedIn, o suspeito escreveu que estava "atualmente desenvolvendo um segundo jogo, com o nome provisório de 'First Law'".
Cole Tomas Allen se envolveu em ativismo político nos últimos anos, segundo o que sua irmã, que mora em Rockville, Maryland, relatou às autoridades, segundo a Casa Branca.
Ele se juntou ao grupo "The Wide Awakes", de esquerda, cujo nome remete aos manifestantes antiescravagistas da década de 1860 que lutaram pela eleição de Abraham Lincoln para presidente.
De acordo com registros da Comissão Eleitoral Federal, Allen doou US$ 25 (aproximadamente R$ 124) para a campanha presidencial de Kamala Harris em outubro de 2024.
Investigadores do ATF (Departamento de Álcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos) encontraram registros que indicam que, em 6 de outubro de 2023, Allen comprou uma pistola semiautomática calibre 38 em uma loja no sul da Califórnia.
Em 17 de agosto de 2025, Allen comprou uma espingarda calibre 12 em outra loja de armas em sua cidade natal, Torrance.
As armas foram compradas legalmente e, nos dois casos, o suspeito precisou fornecer suas informações para uma verificação de antecedentes pelo FBI, a fim de determinar se ele não era procurado, se não havia uma ordem de restrição contra ele e se ele não era um criminoso condenado.
Após sua viagem de trem de Los Angeles para Washington, D.C., o procurador-geral interino Todd Blanche, afirmou que o suspeito fez o check-in no Washington Hilton, que sedia o jantar anual dos correspondentes.

O bilhete deixado para a família
Na noite de sábado (25), a Casa Branca informou que ele enviou a familiares mensagens nas quais “declarava claramente que queria atacar funcionários do governo”.
A mensagem pedia desculpas aos pais, colegas e alunos, e dizia que ele não pretendia atacar especificamente as forças da lei, embora acrescentasse: “Eu ainda passaria por quase todos aqui para chegar aos alvos, se fosse absolutamente necessário”.
Na mensagem, o suspeito argumentou que seu ataque não entrava em conflito com os valores cristãos, escrevendo: “Oferecer a outra face quando alguém é oprimido não é comportamento cristão; é cumplicidade nos crimes do opressor”.
O bilhete terminava com uma nota de raiva: “Sinto raiva ao pensar em tudo o que esta administração fez”.
Após receber a mensagem, seu irmão contatou o Departamento de Polícia de New London, em Connecticut, para expressar sua preocupação, e outros membros da família entraram em contato com agências policiais.
Dentro do hotel, o suspeito avançou por um posto de segurança do lado de fora do salão de baile. O agente do Serviço Secreto atingido no ataque foi atendido e liberado do hospital, informaram as autoridades.
Na sequência, as autoridades começaram a trabalhar para reconstituir os movimentos de Allen e seus possíveis motivos; agentes do Serviço Secreto e da Polícia do Condado de Montgomery entrevistaram a irmã do suspeito em Rockville, informou a Casa Branca, e agentes do FBI se reuniram em frente a uma casa ligada a Allen em Torrance, um subúrbio de Los Angeles.
Uma fita policial foi colocada em parte da rua e um holofote foi apontado para a casa. Vários repórteres estavam reunidos no local e helicópteros de notícias sobrevoavam a área.
Um vizinho, que não quis se identificar, disse à CNN que não tinha certeza se Allen morava na propriedade. Ele relatou que não o viam com frequência, mas que Allen esteve lá "há alguns dias".
Também foi dito que o pai do suspeito é simpático e falante, acrescentando que conversavam frequentemente.
*CNN