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Quarta-Feira, 16 de outubro de 2019 | TEMPO: PARCIALMENTE NUBLADO

Internacional

Nas eleições de Israel, partidos de Netanyahu e Gantz seguem empatados

Nas eleições de Israel, partidos de Netanyahu e Gantz seguem empatados

(Imagem: Jack Guez, Oded Balilty / AFP)

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e seu rival Benny Gantz seguem empatados, e nenhum deles reúne força para formar um novo governo, segundo resultados divulgados até agora das eleições legislativa em Israel.

Com 92% dos votos apurados nesta quarta-feira (18), o Likud, partido de direita de Netanyahu, e o Azul e Branco, movimento de centro-direita fundado por Gantz, têm 32 assentos cada um no Parlamento. Nenhum dos dois partidos irá atingir as 61 cadeiras necessárias para se governar.

Anteriormente, pesquisa boca-de-urna na eleição geral de Israel indicaram o empate.

Em discursos após a votação, tanto Gantz quanto Netanyahu celebraram os resultados e agradeceram apoiadores. Nenhum deles, porém, declarou vitória .

 
 
 
 

Portanto, qualquer sigla vencedora dependerá de uma coalizão com aliados para indicar o primeiro-ministro e iniciar o novo governo.

Assim, o apoio do ex-ministro da Defesa do governo Netanyahu, Avigdor Lieberman, será crucial para determinar quem vai obter a maioria. O político – que lidera o Israel Nossa Casa, partido nacionalista que deve obter de oito a 10 cadeiras no Parlamento – rompeu com o primeiro-ministro dias depois da eleição de abril, o que levou à convocação destas novas eleições.

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Lieberman, então, defendeu que a única saída para o fim do impasse será um governo de "união nacional" entre o Israel Nossa Casa e os partidos de Netanyahu ou Gantz.

"Há apenas uma opção para nós, que é a formação de um amplo governo de união nacional e liberal com o Israel Nossa Casa [seu partido]", afirmou.

Reações após a votação

 
Benjamin Netanyahu, líder do Likud e atual primeiro-ministro de Israel, discursa a apoiadores após boca de urna — Foto: Ammar Awad/Reuters

Benjamin Netanyahu, líder do Likud e atual primeiro-ministro de Israel, discursa a apoiadores após boca de urna — Foto: Ammar Awad/Reuters

Gantz e Netanyahu adotaram cautela nos discursos a apoiadores, horas depois do fechamento das urnas e da divulgação das projeções.

O atual premiê voltou a mencionar o apoio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump – trunfo utilizado ainda na campanha eleitoral – e advertiu sobre a tensão com o Irã, acirrada após o recente ataque com drones na Arábia Saudita.

"Nós lutamos sem medo contra ameaça do Irã e de seus aliados", disse Netanyahu.

O líder do Likud também afirmou que Israel precisa de um governo "forte, sionista e estável" para conter as ameças externas e para "não depender dos partidos árabes".

"Esperem pelos resultados finais, mas uma coisa está clara: o estado de Israel está diante de uma oportunidade e um desafio históricos."

 
Benny Gantz, do partido Azul e Branco, durante discurso a correligionários após eleições em Israel — Foto: Amir Cohen/Reuters

Benny Gantz, do partido Azul e Branco, durante discurso a correligionários após eleições em Israel — Foto: Amir Cohen/Reuters

Momentos antes, Benny Gantz disse a aliados que vai trabalhar para construir um governo de unidade nacional.

"Vamos aguardar os resultados finais. Mesmo assim, do jeito que as coisas estão, nós cumprimos nossa missão", declarou Gantz.

O líder do partido Azul e Branco agradeceu o apoio de parlamentares que se engajaram na campanha nos últimos três meses e na corrida eleitoral anterior, em abril.

"Os israelenses votaram pela unidade, não pela corrupção", disse Gantz.

Segunda eleição do ano

 
Eleitor vota na eleição geral de Israel nesta terça-feira (17) — Foto: Corinna Kern/Reuters

Eleitor vota na eleição geral de Israel nesta terça-feira (17) — Foto: Corinna Kern/Reuters

 

O país organizou na terça suas segundas eleições gerais em menos de um ano. Elas podem definir não apenas o futuro do governo, mas também o de Benjamin Netanyahu, o homem a ocupar por mais tempo o cargo de primeiro-ministro do país desde sua fundação.

Novamente o líder do Likud enfrentou o ex-comandante do exército Benny Gantz, do partido Azul e Branco, a exemplo do que aconteceu em abril.

De acordo com o Comitê Central de Eleições, 69,4% eleitores compareceram às urnas nesta terça-feira, na segunda eleição do ano. É uma taxa de participação superior à de 68,5% observada em abril.

 
Benny Gantz, líder do partido Azul e Branco, vota em Israel — Foto: Ronen Zvulun/Reuters

Benny Gantz, líder do partido Azul e Branco, vota em Israel — Foto: Ronen Zvulun/Reuters

Netanyahu tem ao seu lado partidos religiosos e o eleitorado ultraortodoxo. Caso consiga formar uma coalizão vitoriosa, Bibi, como também é chamado o atual premiê, obterá seu quinto mandato consecutivo e sexto no geral, incluindo um período em que esteve no poder nos anos 90.

 
Benjamin Netanyahu e sua mulher Sara votam em Jerusalem, em setembro de 2019 — Foto:  Heidi Levine/Pool/Reuters

Benjamin Netanyahu e sua mulher Sara votam em Jerusalem, em setembro de 2019 — Foto: Heidi Levine/Pool/Reuters

 

O fator Lieberman

O fator decisivo da composição do novo governo pode ser um ex-amigo de Benjamin Netanyahu, que se desentendeu com o primeiro-ministro em abril e desencadeou a dissolução do Knesset e a convocação de novas eleições.

 
O apoio de Avigdor Lieberman pode ser o fator decisivo na eleição de Israel — Foto: Ammar Awad/ Reuters

O apoio de Avigdor Lieberman pode ser o fator decisivo na eleição de Israel — Foto: Ammar Awad/ Reuters

Avigdor Lieberman, um político de direita de origem russa, sempre apoiou o atual premiê e chegou a ser ministro da Defesa, mas é secular e se opõe a privilégios concedidos aos ultraortodoxos. Ele não concorda com a ideia de manter os religiosos isentos do serviço militar obrigatório e seu partido, o Israel Nossa Casa, rompeu a coalizão que dava maioria a Netanyahu no Parlamento.

Conforme explica o colunista Helio Gurovitz, a base eleitoral de Lieberman é o eleitor russo e de países da antiga Cortina de Ferro, que imigrou para Israel com o colapso da União Soviética. Tem repulsa pela esquerda e não difere em nada das posições de Bibi contra o estado palestino ou em favor da anexação de territórios ocupados. Mas tem relação tênue com a religião e prefere a manutenção do poder em instituições laicas a ver a expansão de leis e regras ditadas pelos ultraortodoxos.

Acusações de corrupção

Uma vitória pode significar para Netanyahu a chance de se livrar das acusações de corrupção que enfrenta. Ele pode virar réu em três processos diferentes, em possíveis casos de suborno, fraude e quebra de contrato e deve comparecer perante a Justiça exatamente um mês após as eleições desta terça.

 

Uma vitória eleitoral poderia permitir que seus aliados votem sua imunidade.

Anexação da Cisjordânia

Uma semana antes das eleições, em 10 de setembro, Netanyahu disse que, se for reeleito, irá anexar partes da Cisjordânia – o Vale do Jordão e a porção norte do Mar Morto.

Ambos os territórios estão atualmente sob controle palestino e formam a fronteira com a Jordânia, país independente no Oriente Médio. Na região, vivem cerca de 65 mil palestinos e 11 mil israelenses.

 
Primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, mostra áreas da Cisjordânia que pretende incorporar ao controle israelense — Foto: Amir Cohen/Reuters

Primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, mostra áreas da Cisjordânia que pretende incorporar ao controle israelense — Foto: Amir Cohen/Reuters

A promessa, anunciada na televisão, foi condenada por diversos envolvidos, como a Organização das Nações Unidas (ONU), países árabes, palestinos e adversários políticos em Israel.

Segundo a BBC, um porta-voz da ONU disse que a anexação "não teria efeito legal em nível internacional".

A Liga Árabe, uma organização que inclui 22 Estados, descreveu os planos de Netanyahu como "perigosos" e considerou que eles "torpedeariam" os fundamentos da paz.

Por outro lado, o ministro das Relações Exteriores da Jordânia, Ayman Safadi, alertou que a anexação poderia "levar toda a área à violência" e seu colega na Turquia, Meylut Cayusoglu, disse que a intenção era "racista" e "agressiva" no contexto pré-eleitoral.

O primeiro-ministro da Autoridade Nacional Palestina, Mohammad Shtayyeh, havia declarado em um comunicado antes do anúncio sobre o vale do Jordão que o presidente de Israel era um "destruidor do processo de paz".

*G1

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