Terça-Feira, 03 de março de 2026
Terça-Feira, 03 de março de 2026
Termos determinava redução do enriquecimento de urânio e uso da energia nuclear apenas para fins pacíficos. Israel acusa o Irã de usar recursos liberados para financiar grupos terroristas.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, visita a Faixa de Gaza, durante uma trégua temporária entre o Hamas e Israel. A imagem foi obtida pela Reuters em 26 de novembro de 2023 (Imagem: Avi Ohayon/GPO via Reuters)
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a criticar o acordo nuclear firmado em 2015 entre o governo de Barack Obama e o Irã. O pacto previa limitar o programa nuclear iraniano em troca da retirada de sanções internacionais.
A fala ocorre dois dias desde os primeiros ataques dos Estados Unidos e de Israel ao país. Desde 28 de fevereiro, bombardeios atingiram alvos ligados ao regime iraniano, incluindo integrantes da cúpula militares -- entre eles o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei.
Nesta segunda-feira (2), Trump disse estar "muito feliz de ter derrubado o horrível acordo nuclear" firmado pelo ex-presidente Barack Obama com os iranianos. A saída dos EUA ocorreu em 2028, durante seu primeiro mandato.
O acordo tinha como objetivo reduzir a capacidade nuclear do Irã e evitar a produção de bomba atômica. Em troca, países que impunham sanções econômicas suspenderiam as restrições financeiras e comerciais.
Críticos do pacto, entre eles Israel, afirmam que parte dos recursos liberados foi usada pelo regime iraniano para financiar grupos armados no Oriente Médio (entenda abaixo).
Como resultado da retirada dos EUA do acordo, o Irã retomou o programa nuclear e passou a enriquecer mais urânio, desta vez sem qualquer fiscalização.
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INFOGRÁFICO - Mapa mostra locais dos ataques no Irã e a retaliação. — Foto: Arte/g1
O acordo para limitar o programa nuclear foi selado na Áustria, em 2015, com EUA, Irã e outros cinco países (Grã-Bretanha, França, Rússia, China e Alemanha).
As negociações duraram cerca de 20 dias até a assinatura do texto final. Obama e o então presidente iraniano, Hassan Rohani, participaram da definição dos termos.
"Todos os caminhos em direção a uma arma nuclear estão cortados", disse Barack Obama na ocasião, após o acordo.
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Barack Obama fala sobre o acordo nuclear com o Irã, em foto de 2015 — Foto: Andrew Harnik/Reuters
O acordo estabeleceu, entre outros pontos:
À época, o documento previa o uso nuclear apenas para fins pacíficos. Em contrapartida, Estados Unidos, União Europeia e Organização das Nações Unidas (ONU) retirariam sanções econômicas impostas ao país.
Caso cumprisse, o país receberia em troca:
Secretário-geral da ONU na oportunidade, Ban Ki-moon disse que o acordo poderia "contribuir de maneira essencial à manutenção da paz e à estabilidade na região e fora dela".
Ainda em seu primeiro governo como presidente dos Estados Unidos, em 2018, Donald Trump anunciou a retirada do país do acordo. Ao anunciar a decisão, Trump chamou o acordo de desastroso e disse que o "pacto celebrado jamais deveria ter sido firmado", por não prover garantias de que o Irã teria abandonado os mísseis balísticos.
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Lista de líderes mortos e sobreviventes do Irã após ataque coordenado de Israel e EUA. — Foto: Reprodução/TV Globo/Fantástico
Aliado dos EUA, Israel criticou o acordo desde o momento em que foi fechado e o chamou de "rendição histórica".
O governo israelense sustenta, desde o pacto, que o Irã utilizou parte dos recursos liberados após o alívio das sanções para financiar grupos armados que atuam no Oriente Médio.
Entre os grupos financiados pelo regime iraniano está o Hamas, responsável pelo ataque terrorista a Israel em 7 de outubro de 2023, com mais de mil mortos -- e responsável pelo início da guerra na Faixa de Gaza.
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Mulher chora após ataque em Tel Aviv, em Israel, em 7 de outubro de 2023 — Foto: REUTERS/Itai Ron
"O Irã é o principal financiador de terrorismo em toda a região do Oriente Médio", afirmou, em 2023, o então porta-voz do Ministério de Relações Exteriores de Israel, Lior Haiat.
Primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, reforçou após os ataques feitos desde o dia 28 de fevereiro que a ação tenta evitar a produção de armas nucleares.
"Irã não deve ter permissão para se armar com armas nucleares", disse.
*G1