Segunda-Feira, 23 de fevereiro de 2026
Segunda-Feira, 23 de fevereiro de 2026
O ministro da Segurança do México disse que os militares morreram em ataques no estado de Jalisco após a captura de "El Mencho".
O secretário de Segurança e Proteção Cidadã do México , Omar García Harfuch, discursa durante uma coletiva de imprensa sobre a onda de violência no México (Imagem: REUTERS/Raquel Cunha)
A onda de violência que dominou o México após a morte de El Mencho em uma operação neste domingo (22) matou 25 membros da Guarda Nacional, segundo o governo mexicano.
Em coletiva de imprensa nesta segunda-feira (23), o ministro da Segurança do México, Omar García Harfuch, revelou que os militares morreram em ataques em Jalisco, estado onde nasceu o cartel comandado pelo narcotraficante, o Jalisco Nova Geração.
Ainda de acordo com Harfuch, 70 pessoas foram presas, em sete estados, durante os atos violentos deste domingo, organizados por partidários do cartel.
"Estamos monitorando de perto qualquer tipo de reação ou reestruturação dentro do cartel que possa levar à violência", garantiu o secretário de Segurança.
Na coletiva, detalhes da operação contra o narcotraficante também foram revelados. O secretário de Defesa do México, Ricardo Trevilla, informou que o paradeiro de El Mencho foi descoberto após uma visita de sua namorada.
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, pediu calma à população. Afirmou que espera que os voos de e para Puerto Vallerta sejam retomados até esta terça-feira (24), e que já não há mais bloqueios nas estradas do país - neste domingo, 229 foram registrados.
"A coisa mais importante agora é garantir a paz e a segurança para toda a população do México. O país está em paz, está calmo", declarou.
Em uma rede social, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o México precisa intensificar seus esforços contra os cartéis de drogas. Os EUA ajudaram a ação militar mexicana neste domingo.
" O México precisa intensificar seus esforços contra os cartéis e as drogas", pressionou.
De acordo com Sheinbaum, um grupo de trabalho agora investiga a lavagem de dinheiro feito para os cartéis de drogas.
Ex-policial, El Mencho comandava há anos um dos cartéis mais influentes do México, o Jalisco Nueva Generación (CJNG), e era considerado uma das figuras mais violentas do crime organizado.
Segundo o Ministério da Defesa mexicano, ele morreu ao amanhecer de domingo na cidade de Tapalpa, no estado de Jalisco, na região centro-oeste do país.
Ele sofreu ferimentos graves durante a operação e não resistiu enquanto era transferido de avião para a Cidade do México, afirmou o órgão em nota oficial. Vários outros membros do CJNG morreram na ação.
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El Mencho — Foto: Reuters
O Ministério da Defesa também informou que vários veículos blindados e armas — incluindo lançadores de foguetes — foram apreendidos durante a operação. Além disso, três membros do exército ficaram feridos e foram levados para hospitais na Cidade do México.
Sob o comando de El Mencho, o cartel se expandiu rapidamente na última década, dedicando-se à produção e venda de drogas, além da extorsão de empresas locais.
O grupo ganhou notoriedade por ataques ousados às forças de segurança e por espalhar medo em comunidades de diferentes regiões do país.
Em poucos anos, o cartel ampliou sua atuação em outros países e tornou-se rival do Cartel de Sinaloa, liderado por Joaquín “El Chapo” Guzmán, que cumpre pena nos Estados Unidos.
Os EUA já chegaram a oferecer recompensa de US$ 15 milhões por informações que levassem à captura de El Mencho.
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EUA chegaram a oferecer recompensa de US$ 15 milhões por informações que levassem à captura de El Mencho. — Foto: Departamento de Justiça dos EUA
Após notícias sobre a morte do narcotraficante, foram registrados incêndios de veículos e bloqueios de estradas em Jalisco, no oeste do México.
A presidente do país, Claudia Sheinbaum Pardo, afirmou, em publicação no X, que "há total coordenação com os governos de todos os estados" e pediu calma à população.
"Meu reconhecimento ao Exército Mexicano, à Guarda Nacional, às Forças Armadas e ao Gabinete de Segurança. Trabalhamos todos os dias pela paz, segurança, justiça e bem-estar do México", escreveu.
O governador Pablo Lemus Navarro afirmou mais cedo que uma operação na cidade de Tepalpa provocou confrontos na região e em outras áreas de Jalisco. Segundo ele, grupos não identificados incendiaram veículos e os posicionaram nas vias, dificultando ações das autoridades.
O governo dos EUA comemorou a morte do narcotraficante. Christopher Landau, subsecretário de Estado, classificou a ação como um “grande avanço para o México, os EUA, a América Latina e o mundo”.
“Estou acompanhando as cenas de violência no México com grande tristeza e preocupação”, acrescentou Landau em uma publicação no X.
O Departamento de Estado dos EUA emitiu ainda um alerta para que cidadãos americanos permaneçam abrigados nos estados de Jalisco, Tamaulipas, e em áreas dos estados de Michoacán, Guerrero e Nuevo León.
A Embaixada do México em Washington também se manifestou. Em publicação nas redes sociais, o consulado afirmou que os EUA forneceram informações para a operação militar que resultou na morte de El Mencho.
“Além dos esforços centrais de inteligência militar, informações complementares foram fornecidas pelas autoridades dos EUA no âmbito da coordenação e cooperação bilateral com os Estados Unidos”, escreveu a embaixada.
*G1