Terça-Feira, 14 de abril de 2026
Terça-Feira, 14 de abril de 2026
Reunião será no Departamento de Estado dos EUA, em Washington. O fim do conflito no Líbano é um dos pontos centrais na discussão de um cessar-fogo entre Washington, Tel Aviv e Teerã.
Homem observa prédio alvo de ataque israelense em Tallet El Khayat, em Beirute, no Líbano, no dia 9 de abril de 2026 (Imagem: Raghed Waked/Reuters)
Embaixadores do Líbano e de Israel nos Estados Unidos vão se reunir nesta terça-feira (14), no Departamento de Estado dos EUA, em Washington, para iniciar negociações de um possível cessar-fogo entre os países.
O embaixador dos EUA no Líbano, Michel Issa, será o anfitrião da reunião entre o embaixador israelense Yechiel Leiter e sua homóloga libanesa, Nada Hamadeh Moawad, segundo a Reuters.
O encontro entre representantes dos dois países foi anunciado na sexta-feira (10), após uma conversa entre os embaixadores por telefone.
O conflito entre Israel e o Hezbollah, grupo extremista libanês aliado ao Irã, é um desdobramento da guerra entre EUA, Israel e Irã, iniciada em 28 de fevereiro.
Os ataques israelenses já mataram pelo menos 2 mil pessoas, segundo o Ministério da Saúde libanês. O fim do conflito no Líbano é um dos pontos centrais na discussão de um cessar-fogo entre Washington, Tel Aviv e Teerã (veja mais abaixo).
Diferentemente do governo libanês, que expressa disposição para iniciar negociações com Israel, o Hezbollah se opõe às tratativas.
Em um discurso televisionado nesta segunda-feira (13), o chefe do Hezbollah, Naim Qassem, pediu para o governo libanês cancelar a reunião desta terça, descrevendo-a como "inútil" e afirmando que seu grupo continuaria a confrontar os ataques israelenses ao Líbano.
Na semana passada, a embaixada de Israel em Washington afirmou que as conversas constituiriam o início de "negociações formais de paz" e que o país se recusa a discutir um cessar-fogo com o Hezbollah.
Na quinta-feira (9), o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciou que tinha instruído seu governo a iniciar negociações de paz com o Líbano "o mais rápido possível".
"As negociações se concentrarão no desarmamento do Hezbollah e no estabelecimento de relações pacíficas entre Israel e o Líbano", disse Netanyahu em comunicado.
O acordo de trégua anterior entre Israel e Hezbollah, celebrado em novembro de 2024, também ocorreu por intermédio de Washington. Esse acordo foi rompido em março deste ano, nos primeiros dias da guerra entre EUA, Israel e Irã.
Nesta segunda-feira (13), Israel atacou Bint Jbeil, importante cidade no sul do Líbano controlada pelo Hezbollah. Fontes libanesas afirmaram à Reuters que o grupo está disposto a lutar até a morte, citando a importância estratégica e simbólica da cidade.
Um oficial militar israelense afirmou que o controle operacional total de Bint Jbeil deve ser alcançado em poucos dias e que apenas um pequeno número de combatentes permanece na área.
Também nesta segunda, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha informou que houve um ataque a um centro da Cruz Vermelha em Tiro, no sul do Líbano. A agência estatal libanesa disse que uma pessoa morreu, mas não identificou a vítima.
O exército israelense afirmou ter realizado um ataque contra um "terrorista do Hezbollah" em Tiro e está investigando relatos de que o ataque teria causado danos a um centro da Cruz Vermelha.
As Forças Armadas de Israel informaram também que um foguete do Hezbollah atingiu a cidade de Nahariyya, no norte do país. O Corpo de Bombeiros disse que o foguete atingiu um prédio residencial de três andares, enquanto o serviço de ambulâncias afirmou que uma mulher sofreu ferimentos leves causados por estilhaços de vidro na explosão, segundo a Reuters.
Os ataques acontecem poucos dias após Israel realizar, na quinta-feira (9), o "maior e mais letal" bombardeio contra o Líbano desde a retomada da guerra contra o Hezbollah. Os bombardeios deixaram 254 mortos e mais de 830 feridos, segundo balanço das autoridades libanesas.
Fotos mostram estragos de bombardeios coordenados feitos por Israel contra o Líbano em 8 de abril de 2026. — Foto: Reuters
Os ataques entre Israel e Hezbollah continuam mesmo após os EUA e o Irã anunciarem na terça-feira (7) um cessar-fogo na guerra no Oriente Médio, que envolve EUA, Israel e Irã.
A inclusão do Líbano é um dos maiores impasses do acordo.
EUA e Israel afirmam que o país não está incluso por conta do grupo terrorista Hezbollah, financiado pelo Irã.
O premiê israelense, Benjamin Netanyahu, alegou que a frente do conflito no Líbano não se aplica ao acordo, e foi defendido pelo presidente dos EUA, Donald Trump.
Por outro lado, o Paquistão, que atua como mediador, e o Irã afirmam que a trégua inclui o Líbano e, portanto, proíbe ataques ao país durante o período de cessar-fogo.
O Irã, inclusive, acusou Israel de violar o cessar-fogo e voltou a fechar o Estreito de Ormuz por conta disso, além de dizer que o país "pagará caro" e será "punido" se prosseguir com os ataques.
*G1