Segunda-Feira, 16 de março de 2026
Segunda-Feira, 16 de março de 2026
No último dia 10, Ibaneis Rocha sancionou lei que autoriza uso de nove imóveis públicos para salvar o banco. Governador disse que vai recorrer.
A 2ª Vara da Fazenda Pública do Distrito Federal concedeu liminar para barrar o uso de terrenos públicos como garantia para empréstimos do Banco de Brasília (BRB). A decisão, desta segunda-feira (16), é assinada pelo juiz Daniel Eduardo Branco Carnacchioni.
No último dia 10, o governador Ibaneis Rocha sancionou a lei que autoriza o uso dos nove imóveis públicos para salvar o BRB. Os imóveis servirão para lastrear uma captação de até R$ 6,6 bilhões no mercado financeiro (veja lista abaixo).
O g1 questionou o governo do DF sobre a decisão, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. À TV Globo, o governador Ibaneis afirmou que o governo vai recorrer. "Pena que essas pessoas querem ver o BRB quebrar única e exclusivamente para fazer política", disse.
De acordo com a decisão, o juiz aponta que a "a solução encontrada para garantir a liquidez [do BRB], que não se originou dos seus gestores, é simples e, nesse medida, sem base jurídica para atender a finalidade pretendida".
"A lei distrital não esclarece como tais operações atenderiam ao interesse público, em especial pelo fato de bens de outras estatais estarem sendo deslocados para conter crise financeira em uma delas, o BRB", destaca ainda o magistrado.
A decisão liminar atende a uma ação popular que aponta que a lei distrital tem "o potencial de lesar o patrimônio público do DF e de entidades distritais que integram a administração indireta, a pretexto de fortalecer a estrutura patrimonial e garantir liquidez do Banco de Brasília".
Ainda de acordo com o juiz, a aprovação da lei distrital aconteceu antes mesmo de qualquer decisão por parte dos gestores, membros do Conselho de Administração e da Diretoria.
"Se deliberou sobre métodos e instrumentos de capitalização, decisão que é privativa do BRB. Esse um dos pontos mais relevantes", afirma o magistrado.
O Conselho de Administração do BRB reúne acionistas para discutir o aumento do capital social da instituição nesta quarta feira (18).
O BRB levará aos acionistas a proposta de emitir até 1,67 bilhão de ações ordinárias, nas próximas semanas, para captar dinheiro no mercado e reforçar o patrimônio da instituição. Dessa forma, o banco espera aumentar o próprio capital social do banco em, no mínimo R$ 529 milhões – e, no máximo, R$ 8,86 bilhões de reais.
Hoje, o capital social do BRB é de R$ 2,34 bilhões. Ou seja: se conseguir captar o montante máximo, o BRB passaria a um capital de R$ 11,2 bilhões – cifra quase quatro vezes maior que o valor atual.
A proposta sancionada cria um "menu" para permitir ao GDF aportar dinheiro ou bens no BRB. As opções podem ser usadas em conjunto ou separadamente.
A lei detalha como os bens poderão ser usados, incluindo:
Também prevê a criação de Fundos de Investimento Imobiliário (FII), medida defendida pelo presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, securitização e operações estruturadas.
O governador vetou três artigos: