Sexta-Feira, 03 de abril de 2026
Sexta-Feira, 03 de abril de 2026
Sessão está marcada para esta sexta (3) em meio à guerra no Oriente Médio. A proposta autorizaria 'uso de todos os meios defensivos necessários' para garantir por pelo menos seis meses a passagem de navios pelo estreito, que está fechado pelo Irã.
Situado na costa do Irã, o Estreito de Ormuz é um dos principais corredores marítimos para a navegação de petróleo mundial. Por lá, passam cerca de 20% de todo o petróleo e gás consumidos no mundo, vindo de grandes produtores do Oriente Médio, como Arábia Saudita, Irã, Iraque, Kuwait e Catar.
O estreito tem sido um dos grandes pontos de tensão da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã, que controla a maior parte do canal e tem atacado navios que passam por lá, além de implantar minas navais. A crise tem causado altas históricas no preço do barril de petróleo, que chegou a US$ 109 na quinta-feira (2).
Dois diplomatas afirmaram que a reunião dos 15 membros do Conselho de Segurança e a votação foram remarcadas para a manhã de sábado (4), já que esta sexta também é feriado na ONU. No entanto, as Nações Unidas não haviam confirmado a informação até a última atualização desta reportagem.
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A ministra das Relações Exteriores do Reino Unido, Yvette Cooper, ao centro, discursa durante uma cúpula virtual no Ministério das Relações Exteriores e da Commonwealth, em Londres, na quinta-feira, 2 de abril de 2026, com cerca de 35 países para discutir formas de reabrir o Estreito de Ormuz. — Foto: Leon Neal/Pool
Diplomatas disseram que o Bahrein, atual presidente do Conselho, finalizou um projeto de resolução que autorizaria “todos os meios defensivos necessários” para proteger a navegação comercial. O texto prevê a aplicação das medidas por pelo menos seis meses.
Ainda assim, a proposta enfrenta forte resistência. O enviado da China à ONU, Fu Cong, afirmou que autorizar o uso da força “legitimaria o uso ilegal e indiscriminado da força” e levaria a uma escalada com “graves consequências”.
De acordo com fontes diplomáticas, uma versão anterior do texto teve o chamado “procedimento de silêncio” quebrado por China, França e Rússia — sinal claro de oposição. Esses países também já haviam pressionado para retirar trechos mais duros da proposta.
O impasse ocorre após semanas de negociações a portas fechadas. Segundo o "The New York Times", o ponto central da discordância é um trecho que autoriza países a usar “todos os meios necessários” para garantir a passagem e impedir tentativas de bloqueio do estreito.
Uma resolução do Conselho de Segurança precisa de ao menos nove votos favoráveis e não pode sofrer veto de nenhum dos cinco membros permanentes: Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e China.
O ministro das Relações Exteriores do Bahrein, Abdullatif bin Rashid Al Zayani, afirmou que a “tentativa ilegal e injustificada” do Irã de controlar a navegação ameaça interesses globais e exige uma “resposta decisiva”. Segundo ele, o país também teria atacado estruturas civis, como aeroportos e portos.
O Irã, por sua vez, indicou que pretende manter a supervisão do tráfego no Estreito de Ormuz, mesmo após o fim da guerra. O bloqueio da via — por onde passa cerca de um quinto do petróleo e gás do mundo — já provocou impactos significativos na economia global, elevando custos de energia, transporte e seguros.
Segundo o "The New York Times", a união dos países árabes contra Teerã no Conselho de Segurança representa uma deterioração profunda das relações regionais, após anos de tentativa de aproximação diplomática.
Analistas avaliam que a resolução liderada pelo Bahrein tem mais peso simbólico do que prático, já que os países do Golfo têm capacidade militar limitada e dependem fortemente do apoio dos Estados Unidos.
O presidente da França, Emmanuel Macron, também criticou a ideia de reabrir o estreito pela força. Segundo o "The New York Times", ele classificou a proposta como “irrealista”, alertando para os riscos de ataques e para a presença de mísseis e forças da Guarda Revolucionária iraniana na região.
Enquanto isso, os Estados Unidos afirmam que continuarão os ataques, mas ainda não apresentaram um plano claro para reabrir o estreito — o que tem alimentado novas altas nos preços do petróleo e preocupações sobre a segurança da navegação internacional.
*G1