Quarta-Feira, 25 de fevereiro de 2026
Quarta-Feira, 25 de fevereiro de 2026
Jornal britânico comenta como investigações reacenderam debates no país sobre a conduta dos ministros
A suspeita de ligação de autoridades políticas e do judiciário no caso do banco Master revelou uma crise que ultrapassa a questão financeira. Na visão do jornal britânico The Economist, as conexões, que são um “escândalo enorme”, reacenderam debates no país sobre a conduta dos membros do Supremo Tribunal Federal, o que deu força para a oposição destituir os ministros caso dominem o Senado nas eleições deste ano.
Na reportagem, a revista comenta como o dono do banco, Daniel Vorcaro, vivia uma vida de luxo e ostentação, enquanto a instituição financeira praticava fraudes a fim de inflar o balanço financeiro do Master.
Apesar dos comentários, o foco do The Economist é na relação dos ministros com o caso e que, mesmo “defendendo a democracia, o tribunal tem se mostrado mais intransigente, por vezes interpretando críticas a seus membros como um ataque à própria democracia”.
O ministro Dias Toffoli, do STF, decidiu abandonar a relatoria do caso Master após o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, entregar ao presidente do STF, Edson Fachin, um relatório sobre dados obtidos no telefone de Vorcaro. Segundo o documento, foram encontradas menções ao nome do então relator — o que motivou a PF a pedir a sua suspeição.
A revista também expõe uma viagem feita por Toffoli em um jato particular com um advogado do Banco Master e proibição da maioria dos peritos forenses da polícia de acessar o material apreendido relacionado a Vorcaro.
O nome do ministro Alexandre de Moraes também é mencionado. No texto, o jornal cita o surgimento de provas de que a esposa do magistrado, que é advogada, havia recebido um contrato “incomumente vago e lucrativo” para representar o Banco Master.
“Ele [Moraes] lidera essa investigação desde 2019, quando o tribunal a criou para investigar ataques contra seus membros e familiares nas redes sociais. Ao contrário de grande parte da atividade do tribunal, as operações da investigação sobre notícias falsas sempre foram sigilosas. Quando a investigação começou, os membros justificaram isso com base na gravidade das ameaças emanadas do ex-presidente, Sr. Bolsonaro, e seus seguidores. É difícil conciliar o uso da investigação pelo Sr. Moraes para investigar fiscais da Receita Federal”, diz o texto.
Escândalo do Master
O Master cresceu rapidamente por meio da oferta de investimentos em CDBs (Certificados de Depósitos Bancários) com rentabilidade muito acima da média do mercado. Para sustentar o modelo, o banco teria assumido riscos excessivos, a fim de promover operações que “inflassem” o balanço financeiro da instituição.
Entre 2023 e 2024, o Master teria desviado cerca de R$ 11,5 bilhões por meio de triangulações, segundo investigações da PF e relatórios do BC. Os documentos também apontam para a ocorrência de um colapso não só financeiro, mas também institucional.
Em 18 de novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master, motivada por séria ”crise de liquidez” e “graves violações” às normas do SFN.
*R7/Brasília