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Terça-Feira, 23 de julho de 2019 | TEMPO: PARCIALMENTE NUBLADO

Polícia

Atestados assinados por médicos que já morreram motivam investigações; entenda

Servidor do Ministério da Justiça apresentou documento rubricado por ortopedista que morreu em data anterior à emissão do atestado; MJ instaurou processo. Caso ocorreu no Hospital de Taguatinga.

Atestados assinados por médicos que já morreram motivam investigações; entenda

(Imagem: Reprodução)

A Polícia Civil (PCDF) investiga dentro do Hospital Regional de Taguatinga (HRT), no Distrito Federal, um suposto esquema de venda de atestados assinados por médicos que já morreram. Segundo as apurações, um desses documentos foi apresentado no Ministério da Justiça.

Um servidor da pasta ficou afastado do trabalho por sete dias após entregar um atestado assinado em 5 de maio de 2018 por um médico ortopedista do HRT. No entanto, de acordo com a PCDF, o profissional faleceu em dezembro de 2017, data anterior à emissão do documento.

Apesar dessa situação ter ocorrido apenas no ano passado, o caso somente veio à tona em 2019. O delegado da Coordenação de Repressão aos Crimes Contra o Consumidor, a Propriedade Imaterial e a Fraudes (Corf), Miguel Lucena, disse que vai intimar os servidores que estavam em atendimento no turno em que o atestado foi emitido.

Em nota, o Ministério da Justiça afirmou que instaurou um procedimento em dezembro de 2018 para apurar situação. O processo tramita sob sigilo na Corregedoria-Geral da pasta.

A Secretaria de Saúde apontou que a direção do HRT "está colaborando com as investigações policiais e vai adotar as medidas necessárias conforme cada caso".

O Conselho Regional de Medicina (CRM) informou que, nos últimos oito meses, analisou 300 denúncias de atestados falsos. Segundo a entidade, as suspeitas são repassadas à Justiça e à Polícia Civil.

Caso Ruby

O Hospital Regional de Taguatinga (HRT), alvo das investigações da PCDF, é o mesmo onde uma operação do Ministério Público e da corporação cumpriu mandados de busca e apreensão na última sexta-feira (5).

Os investigadores também foram a outros endereços em Ceilândia e em Taguatinga ligados à Ruby Lopes – ex-supervisora do HRT suspeita de integrar um esquema de venda de cirurgias e de leitos na rede pública de saúde.

Durante a operação, os agentes apreenderam atestados, receitas e carimbos médicos. O delegado responsável pelo caso, Leonardo de Castro, afirmou que os itens apreendidos "corroboram a suspeita de que, além da venda de cirurgias, ela também praticava a venda de atestados médicos e de medicamentos".

Ruby ficou conhecida por ser a primeira transexual a trabalhar na Câmara Legislativa do DF. Já, no hospital de Taguatinga, ela foi exonerada do cargo após o G1 revelar a suspeita de fraude.

O advogado de Ruby Lopes, Radam Nakai, disse que "o cargo da ex-servidora não a permitia gerenciar o agendamento de cirurgias". Sobre os materiais apreendidos, ele respondeu que Ruby "levava os documentos para casa, mas não usava".

No caso dos carimbos, afirmou que sua cliente "costumava guardá-los para devolver aos médicos".

Se comprovada a participação da ex-servidora no esquema, ela vai responder pelos crimes de corrupção passiva, falsidade ideológica e falsificação de documento público.

*Redação Alagoas Alerta com G1 

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