Quarta-Feira, 11 de março de 2026
Quarta-Feira, 11 de março de 2026
Governo deve remanejar cerca de R$ 7 bilhões para programas sociais e outros R$ 3,3 bilhões devem permanecer bloqueados; Congresso aprovou no ano passado Orçamento com R$ 50 bilhões em emendas.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou nesta quarta-feira (14) a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026, com veto a R$ 393 milhões em valores que o Congresso havia modificado para inflar emendas parlamentares (entenda mais abaixo).
Segundo a Casa Civil, nos próximos dias o governo ainda vai bloquear outros R$ 11 bilhões aos quais o Congresso havia dado o mesmo destino (inflar emendas).
Formalmente, o Orçamento aprovado pelo Congresso prevê R$ 49,9 bilhões para as emendas. Mas os parlamentares decidiram incorporar também como emendas, na prática, outros R$ 11,393 bilhões em recursos livres do governo (as chamadas despesas discricionárias). Por isso, a reserva de recursos indicados por deputados e senadores saltou para R$ 61 bilhões.
A LOA descrimina o Orçamento do governo federal para o ano, que traz estimativa de arrecadação e fixa limites para gastos públicos.
A justificativa para o veto de quase R$ 400 milhões é que esse recurso conflita com uma regra definida pelo Supremo Tribunal Federal, que limita o volume de emendas parlamentares e como elas podem crescer.
Desses R$ 11, 393 bilhões:
O texto aprovado pelo Congresso incluiu cortes em despesas previdenciárias e programas sociais como o Pé de Meia e Gás do Povo. Agora, o governo prevê recuperar a destinação dos recursos para garantir os pagamentos dos programas. Entre eles:
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Embora tenha reservado R$ 49,9 bilhões para emendas parlamentares durante a votação no fim do ano passado, o Congresso decidiu "inflar" os valores que seriam indicados por deputados e senadores e considerar outros R$ 11,5 bilhões em recursos livres do governo (as chamadas despesas discricionárias). Por isso, a reserva de recursos indicados por deputados e senadores saltou para R$ 61 bilhões.
No início de 2025, o Palácio do Planalto e os parlamentares aprovaram um acordo para que deputados e senadores indicassem essas "emendas informais" naquele ano. Governistas, porém, dizem que não havia nenhum acordo para novas emendas em 2026.
Como não são formalmente emendas, mas despesas discricionárias, o governo tem o direito de remanejar livremente esses recursos.
No Planalto, interlocutores dizem que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), já estava "a par" do veto, antes mesmo de ser oficializado. A informação não foi confirmada por Motta.
Integrantes da Comissão Mista de Orçamento (CMO) minimizam o impacto do veto de R$ 400 milhões, mas dizem que é preciso analisar como será o remanejamento das despesas discricionárias.
Já o deputado Claudio Cajado, do PP-BA, afirmou que a decisão do governo de bloquear R$ 11 bilhões nos próximos dias é "fora da curva". Cajado também fez críticas à justificativa do governo de vetar R$ 400 milhões e disse acreditar que o Congresso irá derrubar o veto. "O governo engoliu a execução de 60% de impositivas antes das eleições, mas agora dá o troco.”
Na avaliação de um deputado do Centrão, o veto do governo é uma "pegadinha" porque, na prática, "todo mundo sabe que sempre teve RP2 [recursos de despesas discricionárias] como acordo complementar".
Segundo o parlamentar, os R$ 11 bi bloqueados faziam parte de um acordo. "O governo fica aumentando o custeio obrigatório e acaba comprimindo as discricionárias. Joga no colo do Congresso como uma forma de fazer política".
Os números gerais do Orçamento, aprovado pelo Congresso em dezembro, foram sancionados por Lula. São eles:
O Orçamento da União para o próximo ano é de R$ 6,5 trilhões, sendo R$ 1,8 trilhão destinados ao refinanciamento da dívida pública.
O limite de despesas para 2026 será de R$ 2,3 trilhões, para os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.
A área da educação terá um orçamento de R$ 233,7 bilhões, no ano anterior foram R$ 206,1 bilhões. Já os recursos destinados à saúde somam R$ 271,3 bilhões para custear exames, cirurgias, medicamentos e o funcionamento do SUS.
A proposta prevê ainda um aumento das despesas com pessoal e encargos sociais de R$ 12,4 bilhões em relação ao valor do ano passado.
Desse valor, R$ 7,1 bilhões serão para reajustes e demais adicionais remuneratórios e R$ 4,3 bilhões para a criação de novos cargos, funções e gratificações.