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Sábado, 28 de março de 2026

Política

Mesmo rejeitado, relatório da CPMI do INSS deixa recado político com críticas a Lula

Documento apontou nomeações, relações pessoais e pedidos de informação para sustentar suspeitas sobre atuação no INSS

Mesmo rejeitado, relatório da CPMI do INSS deixa recado político com críticas a Lula

Relator da CPMI do INSS diz que foi no governo Lula 'que os desvios alcançaram níveis estratosféricos' (Imagem: Ricardo Stuckert/PR )

O relatório final da CPMI do INSS, feito pelo deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), acabou rejeitado pela comissão, mas deixou um recado político ao trazer menções ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao tratar do avanço das fraudes em descontos aplicados a aposentados e pensionistas.

Mesmo sem aprovação, o texto afirmava que a estrutura do esquema teria ganhado força a partir de 2023, com a mudança de gestão no INSS. Segundo o documento, a nomeação de integrantes apontados como peças centrais da operação para cargos estratégicos impulsionou o crescimento das irregularidades.

Entre os postos citados estavam a presidência do instituto, diretorias e a procuradoria-geral. O relatório sustentava que a ocupação dessas funções coincidiu com o aumento no volume de descontos associativos sob suspeita.

Lulinha e o Careca

Familiares do presidente também apareceram no documento. Um dos trechos mencionou Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, com referência a uma viagem à Europa ao lado de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, apontado como operador financeiro do esquema.

A comissão registrou que pedidos de convocação e de acesso a listas de passageiros não avançaram — e o relator chegou a pedir o indiciamento de Lulinha, proposta que não prosperou com a rejeição do parecer.

Outro nome citado é José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão de Lula, ligado ao Sindnapi. A entidade aparece como uma das que mais arrecadaram valores por meio de descontos em benefícios, com cerca de R$ 600 milhões sob análise. No entanto, Gaspar não recomendou qualquer tipo de ação em relação a Frei Chico.

Reunião com a Contag

O relatório também mencionou requerimentos enviados a órgãos do governo com o objetivo de identificar eventual conhecimento prévio sobre as irregularidades. Um dos pontos trata de reunião entre o presidente e a Contag, realizada em abril de 2024.

Apesar das citações, há registro da versão apresentada pelo então ministro da Previdência, Carlos Lupi. Em depoimento, ele afirmou: “O presidente Lula não tinha conhecimento dos fatos”.

A leitura do relator

Mesmo diante dessa declaração — e da rejeição do relatório —, o relator sustentou outra leitura no documento. Ele afirmou que o esquema de fraudes é antigo, mas teria atingido maior dimensão recente.

Segundo Gaspar, “o roubo começou muito antes do lapso temporal investigado nesta CPMI”, mas “foi no governo de Luís [sic] Inácio Lula da Silva que os desvios alcançaram níveis estratosféricos, saindo da casa de milhões para bilhões de reais”.

Ele citou como exemplo o ano de 2024, quando, de acordo com o relatório, os descontos associativos sob suspeita teriam chegado a R$ 3,5 bilhões.

Para o deputado, “os números não mentem” e indicam que, no atual governo, organizações criminosas teriam ampliado sua atuação dentro da estrutura previdenciária.

*R7/Brasília