Segunda-Feira, 06 de abril de 2026
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Indicação de Jorge Messias para o STF foi enviada ao Senado quatro meses após o anúncio feito pelo presidente
Jorge Messias tem conversado com parlamentares para garantir a aprovação em sabatina no Senado (Imagem: Emanuelle Sena/AscomAGU - Arquivo)
Após mais de quatro meses do anúncio de Jorge Messias para a vaga deixada por Luís Roberto Barroso no STF (Supremo Tribunal Federal), o futuro ainda é incerto para o atual advogado-geral da União. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou a mensagem que formaliza a indicação na última quarta-feira (1º), mas o nome ainda não é unanimidade entre os senadores, e Lula pode até atrapalhar a aprovação.
Em novembro, quando ocorreu o anúncio, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), queria a indicação de Rodrigo Pacheco (PSB-MG) e não gostou de ter sido pego de “surpresa”. Mas agora o cenário é outro, com a possível candidatura do senador para o Governo de Minas Gerais.
Pacheco ainda não confirma a disputa. Porém, filiou-se ao PSB e é a aposta de Lula para conquistar votos no estado — o segundo maior colégio eleitoral do país.
Com o caminho em tese mais livre para Messias, a reportagem apurou que a ideia do governo é ir para o “tudo ou nada”, mesmo sem o apoio de Alcolumbre — que precisa enviar a indicação à CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) para que a sabatina seja marcada. O relator será o senador Weverton Rocha (PDT-MA).
A senadora Eliziane Gama (MA), que migrou do PSD para o PT na última quinta-feira (2), acredita que o ambiente é “muito favorável” à aprovação.
“O ministro Messias tem muita habilidade em conversar com os parlamentares, um diálogo que se intensificou nos últimos dias. Com currículo impecável, não tenho dúvidas: Jorge Messias será aprovado sem grandes dificuldades”, afirma a parlamentar.
Para o senador Eduardo Girão (Novo-CE), contudo, não há espaço para avaliar Messias nem outro nome para a vaga. Contrário ao indicado, para ele o momento é “dramático” para uma sabatina.
“Eu acredito que esse Senado não tem mais legitimidade, do ponto de vista de altivez, para sabatinar ninguém agora”, diz Girão.
Interferência de Lula
O senador Ângelo Coronel (Republicanos-BA) avalia que Messias até tem chances, a depender do comportamento de Lula nos próximos dias. Segundo ele, o presidente precisa se manifestar menos.
Nas palavras dele, “se o presidente Lula ficar calado, Messias tem chances”.
Na semana passada, o presidente alfinetou o Senado ao dizer que senador “pensa que é Deus”.
“Eleições para o Senado são muito importantes. Um governador mantém relação civilizada com o presidente da República porque o governador também precisa do presidente. Mas um senador com mandato de oito anos pensa que é Deus. E ele pode criar muito problema se você não tiver uma base de sustentação dentro do Senado. E isso é o que nós fazemos”, declarou Lula em entrevista.
A fala não foi bem recebida pelos parlamentares, e o efeito foi ainda mais negativo, principalmente por ter sido feita no mesmo dia em que foi enviada a indicação de Messias ao Congresso.
*R7/Brasília