Domingo, 08 de fevereiro de 2026
Domingo, 08 de fevereiro de 2026
Ex-presidente dá cartadas para as eleições de 2026 mesmo preso; nova rodada de negociações passa por escolha de vice de Flávio
Mesmo preso, o ex-presidente Jair Bolsonaro tem dado as cartas eleitorais do PL para 2026 e transformou a Papudinha em uma espécie de “comando eleitoral” do bolsonarismo.
Negociando pré-candidaturas e buscando aproximação com aliados desde a prisão, no fim de novembro de 2025, Bolsonaro já teve autorizadas pelo STF (Supremo Tribunal Federal) as visitas de 18 pessoas, quase todas políticas, com exceção do núcleo familiar e de médicos.
As últimas conversas do ex-presidente tiveram como foco a definição da chapa de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para as eleições presidenciais, conforme revelou o R7 Planalto.
Uma carta assinada por Bolsonaro confirmando a pré-candidatura do filho foi divulgada em 25 de dezembro. A estratégia, adotada desde o lançamento do filho 01, entra agora na fase de discussões para a definição do vice de Flávio.
Até o momento, está descartada a possibilidade de uma chapa pura, segundo disse o líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), que coordena a pré-campanha do senador.
“A ideia é termos a possibilidade de atrairmos outros partidos. Isso vai ser tratado ao longo dos próximos meses, para começarmos com o maior número de integrantes, termos o maior tempo de TV. Vamos trabalhar nessa linha”, revelou Marinho após visitar Bolsonaro, na última quarta (4).
Conversas com Tarcísio
A atuação na Papudinha também ficou evidente com a declaração do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Em 29 de janeiro, após encontro com Bolsonaro, ele reiterou a intenção de concorrer à reeleição ao Palácio dos Bandeirantes.
Enquanto ainda pairavam dúvidas sobre uma possível candidatura à Presidência, Tarcísio chegou a cancelar uma visita à Papudinha.
O movimento foi visto como uma forma de ganhar tempo antes de cravar sua fidelidade a Bolsonaro. Após a conversa, o governador de SP finalmente enterrou as especulações.
Em tentativa de fechar ainda mais as articulações, Bolsonaro quer receber o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, que está proibido pelo ministro Alexandre de Moraes de visitar o ex-presidente.
O senador Wellington Fagundes (PL-MT), que vai à Papudinha em 7 de março, chegou a recorrer ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, para tentar liberar o encontro, já que Waldemar e Bolsonaro estão impedidos de ter contato direto por ordem judicial. Por enquanto, Flávio Bolsonaro tem sido o porta-voz do pai.
Próximas visitas
Nos últimos dias de janeiro, o Moraes atendeu a um pedido da Polícia Militar do Distrito Federal e liberou Bolsonaro a receber visitas aos sábados. Com isso, a agenda de fevereiro já está cheia.
Nesse sábado (7), Bolsonaro foi visitado pelo líder da oposição na Câmara, deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB). Em vídeo divulgado nas redes sociais, o parlamentar comentou que recebeu orientações políticas de Bolsonaro.
“Eu, assumindo a liderança da oposição, escutei todas as determinações do presidente Bolsonaro para o nosso comportamento na Câmara”, comentou. “O que estão fazendo com o presidente Bolsonaro é desumano. Ele precisaria urgentemente estar em casa, não preso”, acrescentou.
No próximo (14), o ex-secretário de Assuntos Fundiários de Bolsonaro, Luiz Antonio Nabhan Garcia, e o senador Wilder Morais (PL-GO) devem ir ao complexo prisional.
Para os demais dias, também foram autorizadas as visitas de outros quatro parlamentares: os deputados Nikolas Ferreira (PL-MG) e Sanderson (PL-RS), além dos senadores Bruno Bonetti (PL-RJ) e Carlos Portinho (PL-RJ) — líder do partido no Senado.
A conversa com Nikolas deve tratar do palanque de Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país.
Há, ainda, a expectativa de uma visita do líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), cuja autorização por Moraes ainda é aguardada.
*R7/Planalto