Sexta-Feira, 27 de março de 2026
Sexta-Feira, 27 de março de 2026
Executivo defende que o combate ao crime organizado deve ser feito por meio de cooperação internacional estruturada
Governo vê risco de bancos serem punidos mesmo sem envolvimento direto em ilícitos (Imagem: Daniel Torok/Official White House Photo -)
Integrantes do governo brasileiro avaliam com preocupação a possibilidade de os Estados Unidos classificarem organizações criminosas, como o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho, como entidades terroristas.
Nos bastidores, o principal temor não é uma ação direta na área de segurança, mas os efeitos colaterais no sistema financeiro nacional.
A avaliação interna é de que esse tipo de classificação amplia significativamente o poder das autoridades americanas para impor sanções unilaterais, especialmente sobre instituições financeiras que operam no exterior.
O risco, segundo interlocutores, é de que bancos brasileiros sejam punidos mesmo sem envolvimento direto com atividades ilícitas, caso mantenham relações indiretas com empresas ou clientes posteriormente associados a essas organizações.
Esse cenário preocupa porque a legislação americana, nesse campo, é considerada pouco clara quanto à responsabilização de terceiros. Na prática, isso poderia levar a penalizações amplas, afetando desde grandes bancos até fintechs, com impacto potencial sobre crédito, investimentos e estabilidade do sistema financeiro.
O que pensa o governo
O governo brasileiro defende que o combate ao crime organizado deve ser feito por meio de cooperação internacional estruturada, com foco em inteligência, combate à lavagem de dinheiro e tráfico de armas — e não por medidas unilaterais que possam gerar distorções econômicas e jurídicas.
*R7/Brasília