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Segunda-Feira, 20 de maio de 2019 | TEMPO: PARCIALMENTE NUBLADO

Política

Renan diz que gestão de Bolsonaro 'parece sem rumo' e vive momento de 'autoflagelação'

Renan diz que gestão de Bolsonaro 'parece sem rumo' e vive momento de 'autoflagelação'

(Imagem: Reprodução)

 Quarenta dias após ser derrotado na disputa pela presidência do Senado, Renan Calheiros (MDB-AL) voltou a vestir o figurino do “velho Renan” e não deixa dúvidas de que pretende liderar a oposição. Com um discurso crítico ao governo, o senador do MDB afirmou que a gestão de Jair Bolsonaro “parece sem rumo” e vive um momento de “autoflagelação”.

Apesar de classificar Paulo Guedes como “bem intencionado”, Renan argumentou que, sozinho, o ministro da Economia nada poderá fazer e mostrou resistências ao modelo de reforma da Previdência enviado pelo Executivo ao Congresso. Mesmo assim, não deu pistas de como será sua atuação daqui para a frente. “Eu voltei para o baixo clero. Sou o 081 do Senado”, disse Renan ao Estado.

 

O senador andava apressado no “túnel do tempo”, como é conhecido o corredor que liga o prédio do Congresso a um anexo do Senado, quando parou para cumprimentar uma antiga colega. “Lula mandou um forte abraço para você”, afirmou a deputada Gleisi Hoffmann (PR), presidente do PT. Era terça-feira e Renan combinou com ela que em breve visitaria novamente o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba desde abril do ano passado.

Nas conversas com correligionários, a portas fechadas, o senador alagoano não deixa dúvidas de que sua articulação será contra o governo. Na noite desta quarta-feira, 13, por exemplo, ele participou de um jantar no qual muitos se queixaram do estilo do presidente. “Bolsonaro, com todo respeito, ganhou a eleição e eu respeito bastante quem ganha eleição. Mas essa renitência de manter a divisão da sociedade pela rede social, não deixando que ódios sejam superados, é uma coisa muito complicada. Cada vez mais o presidente vira sinônimo da velha prática política”, insistiu o senador.

Ao definir o que chama de “autoflagelação”, Renan disse que o Palácio do Planalto é “insuperável” na produção de fatos negativos. “O ministro da Educação (Ricardo Vélez Rodríguez) é um horror, o das Relações Exteriores (Ernesto Araújo) não fica atrás. Mas não dá para predizer o que vai acontecer com o governo até porque seria uma competição insustentável com o cientista político Olavo de Carvalho”, ironizou.

No dia anterior, em seu gabinete, Renan também ouviu críticas a Bolsonaro ao receber alguns senadores do MDB. “Me ligue com o Gustavo Bebianno”, pediu ele à secretária. Bebianno ocupava a Secretaria-Geral da Presidência, mas foi demitido no mês passado, após ser chamado de “mentiroso” pelo vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ).

Até agora, Bebianno era a “ponte” de Renan com o Planalto. Desafeto do senador, o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, fez campanha para Davi Alcolumbre (DEM-AP), que se elegeu presidente do Senado. A eleição foi marcada por suspeita de fraude e, na segunda votação, Renan desistiu, retirando a candidatura ao perceber a derrota iminente.

Guedes. Hoje, o interlocutor do senador no governo é justamente Paulo Guedes, que pretende apresentar uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) para acabar com os gastos obrigatórios previstos nos orçamentos da União, dos Estados e dos municípios. “Essa reforma do pacto federativo não tem nada de pacto federativo”, protestou Renan. “Em português claro, essa medida significa a autorização para cortar na saúde e na educação. Se o Paulo não acertar a mão no que vai fazer, não chegaremos a lugar algum. Ser bem intencionado não resolve o problema”.

No Salão Azul, o homem que já comandou quatro vezes o Senado sempre conversa com colegas de oposição e não quer falar sobre a eleição que perdeu. Questionado sobre a investigação interna referente ao voto de número 82 depositado na urna, que levou a uma segunda votação – já que são apenas 81 senadores –, ele muda de assunto. “Não estou acompanhando.”

Renan também é econômico nos comentários sobre o relacionamento com Alcolumbre. “Normal”, resume. “Ele até assinou a petição que eu encaminhei ao Tribunal de Contas da União, pedindo a sustação do acordo celebrado entre a Petrobrás e representantes do Ministério Público.” Ao mostrar a rubrica em círculo de Alcolumbre, porém, deixa escapar: “É uma assinatura com estilo.” 

*Estadão Conteúdo 

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