Sexta-Feira, 13 de março de 2026
Sexta-Feira, 13 de março de 2026
Plataforma usada majoritariamente por crianças reúne milhares de jogos criados por usuários e é apontada por policiais como porta de entrada para criminosos que atuam contra menores.
Um dos ambientes virtuais mais populares entre crianças e adolescentes, o Roblox — plataforma com milhares de jogos criados pelos próprios usuários — tem sido alvo crescente de denúncias e investigações no Brasil. Autoridades apontam que, por trás do visual lúdico e da promessa de diversão, o espaço abriga riscos sérios: conteúdos inadequados, dificuldades de monitoramento e, principalmente, um cenário fértil para a atuação de aliciadores de menores.
Ao entrar no Roblox, o usuário cria rapidamente um avatar e escolhe um apelido sugerido pela própria plataforma. A criação de conta é simples e, no caso de quem afirma ser maior de idade, nem documentos ou e‑mail são exigidos. Com isso, jogadores podem circular livremente por milhares de mundos virtuais e conversar com outras pessoas — via chat escrito ou por áudio.
Segundo dados da plataforma, 144 milhões de usuários jogam diariamente, sendo:
A maior parte acessa pelo celular, o que torna o jogo ainda mais presente no cotidiano das famílias.
No início do ano, o Roblox implementou verificação facial para tentar identificar a idade dos jogadores e restringir o chat para crianças — o que gerou protestos dentro da própria plataforma.
Embora muitos games indiquem “idade mínima” para acesso, a própria empresa afirma que essa classificação não tem caráter formal e apenas sinaliza restrições. Como grande parte dos conteúdos é criada por usuários, diversos ambientes apresentam temas inadequados para menores.
Autoridades relatam a existência de:
A delegada Lysandrea Salvariego Colabuono, coordenadora do Núcleo de Observação e Análise Digital da Polícia Civil de São Paulo, afirma que jogos perigosos são denunciados à plataforma, mas podem levar semanas para serem retirados do ar.
O núcleo especializado relata que 90% das vítimas monitoradas em investigações iniciaram contato com agressores dentro do Roblox. O modo de atuação é silencioso:
“O agressor não tem pressa. Ele ganha a confiança da criança”, diz a delegada.
Casos recentes ilustram o problema:
Em Curitiba (PR), uma menina de 11 anos, que jogava um game de construção de zoológicos, passou a ser chantageada. A mãe só descobriu o que ocorria no dia 1º de janeiro. O caso é investigado pelo Nuciber, núcleo especializado em crimes cibernéticos no Paraná.
Já em Porto Alegre (RS), outra vítima, uma menina de 12 anos iniciou, uma conversa com um usuário anônimo em um jogo popular de sobrevivência a desastres naturais. O agressor divulgou fotos íntimas dela para familiares e para a escola. O suspeito — um adolescente de 16 anos, de Ribeirão Preto — foi identificado. No celular dele, a polícia encontrou imagens de violência extrema, apologia ao nazismo e grupos de pedofilia, além de possíveis novas vítimas.
Mesmo com o agressor apreendido, a família teme novas exposições.
O Fantástico procurou a empresa, que disse em nota que suas medidas de segurança vão muito além do que outras plataformas fazem.
A discussão acontece em meio à implementação do Estatuto da Criança e do Adolescente Digital (ECA Digital), aprovado em setembro do ano passado e que começa a valer em 1º de março deste ano. O estatuto estabelece regras mais rígidas para proteger menores em plataformas digitais — o que deve exigir mudanças do Roblox para continuar operando no país.
A preocupação com redes sociais para menores cresce no mundo.
Embora não haja consenso científico sobre a dependência digital entre crianças, profissionais de saúde relatam aumento de casos relacionados ao uso excessivo de telas.
*G1/ Fantástico