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Brasil

Febre pelas figurinhas da Copa do Mundo conquista fãs de todas as idades

Copa do Mundo empolga nova geração de torcedores em busca de completar o álbum com os jogadores de todas as seleções

Febre pelas figurinhas da Copa do Mundo conquista fãs de todas as idades

Rafaela Carvalho conta que seguiu o irmão mais velho na vontade de colecionar figurinhas. Para ela, a diversão amplia interesse sobre outros países (Imagem: Minervino Júnior/CB/D.A.Press)

No "Vai, Corinthians!", dito de um modo todo gracioso, Nina, dois anos, já dá os primeiros passos rumo ao mundo da torcida que o irmão Luiz, 5, já domina. Agora, há pouco mais de mês da Copa do Mundo, ambos estão incentivados pelo pai, o analista de sistemas Luiz Machado, 39, para o que, desde sua infância, fez sua diversão: completar o álbum de figurinhas das seleções. Em clima de trocas, nos arredores da Banca do Brito (106 Norte), ponto consolidado em Brasília, foi dada uma popular pré-largada na torcida pelas seleções da Copa.

"O Luiz já assistiu a uma Copa, mas tinha um ano só: agora, ele entende mais. Então, me ajuda efetivamente nas trocas. Com a socialização, o pessoal acaba entrando mais no clima de Copa. Não se trata de necessariamente completar o álbum, principalmente,agora, com bem mais figurinhas: são 980, e, por um real cada, se torna valor considerável. Mas é pela diversão. Quando eu era moleque, eram bem menos figurinhas. Agora tem um monte especial e aí entra muito o apelo comercial. O que a gente pretende mesmo é fechar o time do Brasil, né?", comenta o participativo pai. E, em campo, qual seria o ânimo. "Vamos torcer para o Brasil, num ano em que está difícil; torcida nunca nunca é de menos, né?", completa.

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Junto com artigos como moedas, cédulas e antiguidades, de interesse de colecionadores, as figurinhas da Copa do Mundo dão sustento para o comerciante Daniel Carmo, 34 anos, no que começou como hobby e virou profissão, desde 2014. Ele tem um banquinha itinerante. Controlar a clientela é uma das atenções. "A maioria é cuidadosa. Porém, vai que alguém amasse, sei lá, uma figurinha de 20 anos — é papel, é frágil", salienta. Mesmo com as facilidades dos anúncios em internet, e um mercado paralelo de trocas, tradicionais brincadeiras de figurinhas, como jogar bafo, ainda vigoram. "Pela manhã, hoje mesmo vi uma criança brincando, batendo bafo na calçada. Minha clientela não é numerosa, mas é fiel. Há pouco, passou um senhor que colecionava desde a década de 74, e veio se atualizar para 2026. Toda a Copa tem essa febre, e a geração de colecionadores é renovada", destaca.

Estrelas do esporte

Preciosidades figuram nas coleções: caminhando se vê curiosidades como várias fases de Cristiano Ronaldo, em todas as Copas disputadas. Um Romário, versão de 1994, descolado do álbum original, tem a imagem avaliada em R$ 50; já a figurinha original, sem ter sida colada em nenhum álbum antes, valeria algo como R$ 230. Daniel Carmo, com olho de especialista, atenta para as imagens extras, douradas, do Cristiano Ronaldo e do Lionel Messi, que tendem a ser as mais valorizadas, dado o clima de despedida de ambos. A expectativa de colecionistas se fixa em nomes como Lamine Yamal, Kylian Mbappé e Vinícius Júnior.

Outro centro tracional para as trocas está numa das praças do Terraço Shopping. E há quem frequente os dois lugares, caso de Henrique Gomes, 13. "Passei pela Banca do Brito, onde fiquei uns cinco minutos, comprei o álbum e 22 pacotinhos de figurinhas, deu uns R$ 144. Na minha escola, já tem uma galera colecionando, por ser meio que uma cultura. Gosto daqui (do shopping) para a gente conhecer novas pessoas, socializar", avalia.

Davi Yamassaki, 14, do Ciman (Cruzeiro) também escolheu o shopping para agilizar as trocas. "É a minha terceira vez com álbuns, comecei em 2018. Tanto o daquele ano, como o de 2022, completei duas vezes, criança e assistindo aos jogos. Este ano, comecei a coleção há três dias. Praticamente, vira uma obsessão de completar. Dos pacotes, sempre é mais difícil de achar coisas do Brasil", conta. A nostalgia já se instala, diante do hobby. "Acho massa trocar, colar as figurinhas, tipo é uma lembrança para a gente, no futuro, a gente olha lá o álbum: 'Caraca! Formei esse álbum quando eu tinha 14 anos, e tal. Quem me estimulou foi meu pai, Marcelo, ele não obrigava a gostar de futebol, só falava: "Ó, o álbum aí para você! E entregava. Foi até um jeito de eu aprender a contar os números. É um negócio legal esse lance das figurinhas."

Rafaela Carvalho,14 anos, conta que colecionar é uma tradição na família. "Tenho álbuns de 2014, 2018 e 2022. Lembro, eu pequenininha e meu irmão Marcelo convocando. Agora, ele tem 29 anos, e estamos formando este álbum. Na escola, fui a primeira da sala a demonstrar o interesse. Dá para ver que o futebol masculino tem mais relevância, mais visibilidade. Você não encontra tanta menina colecionando.Eu já tenho 50 pacotes comprados."

Rafaela percebe que é um hobby que amplia conhecimento e interesse por outros países. "Com as figurinhas de 2022, conheci uns 10 países, pelo menos, e, de repente, veio o interesse pelas culturas também"

O dono da banca Brito, na 106 Norte, José Gonçalves conta que jovens e cada vez mais meninas têm interesse pelo álbum da Copa. "É impressionante como tenho visto jovens e meninas atrás das figurinhas. Ontem chegou uma turma de umas oito adolescentes, todas elas, cada uma, compraram álbum e figurinhas. Vinham do Colégio Marista, do Colégio Militar. Tem a tradição na coleção: a gente faz um álbum e guarda, e vira e mexe, pega para dar uma olhadinha ali, com os jogadores guardados."

Gustavo Vital,15 anos, estudante do Sigma, está há três dias empolgado com a troca de figurinhas. "Comprei uns 20 pacotes. Estou muito animado para fazer esse álbum, porque prometi para a minha mãe que esse será o último. Na escola, já estão jogando bafo, trocando muito", conta.

*Correio Braziliense