Domingo, 03 de maio de 2026
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Empresas low cost solicitaram US$ 2,5 bilhões em ajuda governamental devido aos altos preços do combustível de aviação
Avião Spirit Airlines (Imagem: Ricardo Ramirez Buxeda/Orlando Sentinel/Tribune News Service/Getty Images)
O secretário de Transportes dos EUA, Sean Duffy, disse neste sábado (2) que não acredita que o governo precise resgatar as companhias aéreas low cost que solicitaram US$ 2,5 bilhões em ajuda governamental devido aos altos preços do combustível de aviação.
"Eu diria que, neste momento, não acho necessário. Eles têm acesso a dinheiro. Se quiserem recorrer ao governo dos EUA, seremos um credor de último recurso. Se conseguirem encontrar dólares nos mercados privados, acho que isso é melhor para eles", disse Duffy em uma coletiva de imprensa no aeroporto de Newark após a falência da companhia aérea low cost Spirit Airlines.
Ele disse que a possibilidade de um resgate da Spirit foi vista por algumas outras companhias aéreas como uma oportunidade de obter dinheiro "não necessariamente por necessidade, mas por oportunidade".
Na segunda-feira, um grupo de companhias aéreas dos EUA, incluindo a Frontier e a Avelo, afirmou ter proposto a troca de warrants que poderiam ser convertidos em participações acionárias por US$ 2,5 bilhões em auxílio do governo dos EUA.
A Associação de Companhias Aéreas de Baixo Custo confirmou que solicitou ao governo do presidente Donald Trump a criação de um fundo de liquidez de US$ 2,5 bilhões, usado exclusivamente para compensar o aumento dos custos de combustível, "como uma medida necessária e direcionada para estabilizar as operações e manter as passagens aéreas acessíveis durante este período de volatilidade".
Eles também pediram ao Congresso que suspendesse o imposto federal de 7,5% sobre passagens aéreas e a taxa de US$ 5,30 por trecho. A isenção dessas taxas compensaria cerca de um terço do aumento do custo do combustível de aviação.
A proposta destaca uma das consequências não intencionais da guerra entre EUA e Israel contra o Irã: um aumento nos preços do combustível de aviação que praticamente dobrou os custos, comprimindo as margens de lucro e levando as companhias aéreas mais frágeis à beira da falência.
Os diretores executivos de diversas companhias aéreas de baixo custo se reuniram com Duffy e com o chefe da Administração Federal de Aviação (FAA), Bryan Bedford, em Washington, na semana passada, para discutir a proposta.
O grupo chegou ao valor de US$ 2,5 bilhões estimando quanto a mais espera gastar com combustível de aviação este ano em comparação com as previsões anteriores.
A Airlines for America, que representa as principais companhias aéreas de passageiros dos EUA, opôs-se a um resgate financeiro para as companhias aéreas de baixo custo, afirmando que "a intervenção do governo em favor dessas companhias aéreas puniria outras companhias que optaram por soluções próprias para lidar com o aumento dos custos e recompensaria as companhias que não tomaram essas decisões difíceis. Isso não é justo."
O grupo acrescentou que, a longo prazo, sustentar empresas incapazes de recuperar o custo do capital investido prejudica a concorrência e os consumidores, tornando mais difícil para outras companhias aéreas competirem e atraírem capital do setor privado.
*Reuters