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Quarta-Feira, 04 de março de 2026

Brasil

PF aponta que Previdência do Amapá rejeitou 'bancos de 1ª linha' e preferiu o Master

Investigação aponta como cada dirigente da Amprev, alvo de buscas, atuou para ignorar alertas e riscos e dar preferência ao Master.

PF aponta que Previdência do Amapá rejeitou 'bancos de 1ª linha' e preferiu o Master

(Imagem: Reprodução)

Documentos da investigação da Polícia Federal sobre os aportes do Instituto de Previdência do Amapá (Amprev) no Banco Master indicam que as operações foram realizadas ignorando riscos e alertas.

A Polícia Federal apontou que os dirigentes que estão sob investigação tinham papéis específicos para que isso se concretizasse.

“A análise detida dos relatórios de inteligência policial e o cotejo analítico das provas documentais revelam uma dinâmica delitiva estruturada e sequencial, na qual cada investigado teria desempenhado função específica para viabilizar o aporte temerário de quatrocentos milhões de reais em ativos do Banco Master, em um interregno inferior a vinte dias”, diz o documento.

As informações foram publicadas pela colunista do Globo, Malu Gaspar. O blog também teve acesso aos documentos.

A PF afirma que o conselheiro da Amprev José Milton Afonso Gonçalves é “o mentor intelectual e principal articulador das operações no âmbito do Comitê de Investimentos”.

“A investigação destaca que, deliberadamente, o investigado omitiu a apresentação de comparativos de risco de crédito, rejeitando ofertas de bancos de primeira linha como Santander, BTG Pactual e Safra, sob o argumento isolado de que a taxa de retorno do Banco Master seria superior, conduta que repetiu invariavelmente nas reuniões subsequentes de 19 e 30 de julho, demonstrando dolo intenso no direcionamento dos recursos.”

O presidente do instituto também é citado pela PF como alguém que sabia dos riscos, mas ignorou. Jocildo Silva Lemos foi alvo de buscas da PF.

“A investigação demonstra que Jocildo atuou como o garante institucional da operação, utilizando sua posição hierárquica para neutralizar as resistências internas da área técnica.”

A PF diz que ele sabia que a Caixa Econômica Federal tinha se recusado a comprar os mesmos ativos do Master e ignorou esse risco.

“A materialidade colhida nos autos comprova que o investigado tinha plena ciência de que a Caixa Econômica Federal havia recusado a aquisição dos mesmos ativos devido ao alto risco, todavia, optou por ignorar tal sinal de mercado. Mais grave ainda, a autoridade policial descreve que Jocildo validou uma suposta visita técnica ao Banco Master, realizada às vésperas do terceiro aporte, como um ato de mera formalidade para conferir aparência de legalidade à gestão temerária, sem produzir qualquer auditoria real.”

As investigações apontam indícios de crime que, segundo o juiz do caso, Jucélio Fleury Neto, da 4a vara da Justiça Federal do Amapá, "atinge frontalmente o interesse do Estado (gestão temerária de fundos previdenciários da AMPREV que gera prejuízo irreparável ao erário)".

Jocildo diz que foi indicado ao cargo por Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado. Em nota, Alcolumbre disse que espera que o caso do Amprev seja "devidamente investigado, esclarecido e conduzido com transparência e respeito ao devido processo legal (veja íntegra mais abaixo). Alcolumbre não é investigado.

Íntegra da nota

 

Veja a íntegra da nota de Alcolumbre:

O presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre, reafirma sua total confiança nas instituições e na Justiça brasileira. Defende que tudo seja apurado, devidamente investigado, esclarecido e conduzido com transparência e respeito ao devido processo legal.

O senador espera que, ao final das apurações, os verdadeiros culpados sejam punidos, na forma da lei.

*G1/Blog da Camila Bomfim