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Quarta-Feira, 25 de março de 2026

Economia

Alta do diesel, impulsionada pela guerra no Irã, eleva o preço dos fretes no Brasil

Reajustes chegam a 50% em algumas regiões do país; impacto é ampliado pela dependência do transporte rodoviário, segundo especialistas.

Alta do diesel, impulsionada pela guerra no Irã, eleva o preço dos fretes no Brasil

Alta do diesel, por causa da guerra no Irã, já provoca aumento no preço dos fretes (Imagem: Reprodução/TV Globo)

O aumento do diesel, impulsionado pela guerra no Irã, já começa a impactar o custo do transporte no Brasil — e o reflexo chega ao consumidor.

Um levantamento da associação que representa o setor de transporte de cargas e logística aponta que o frete já registra alta média de cerca de 10%. Com o combustível mais caro, empresas têm repassado os custos para os clientes. O impacto já é sentido em todo o país e, em algumas regiões, pode chegar a 50%.

Como o diesel representa até metade dos custos do transporte, o impacto é direto no frente. Em uma transportadora em Guarulhos, na Grande São Paulo, o valor do frete subiu 12%.

A alta tem gerado reações entre os clientes.

"Tivemos algumas reclamações de clientes dizendo que o preço está muito alto. Mas o mercado está volátil e tudo vem subindo", afirma Luigi Rosolen, diretor da West Cargo.

A Associação Nacional de Transportes de Cargas e Logística confirma a tendência de aumento.

"Em média, nós podemos dizer que o frete está sendo corrigido na ordem de 10%. Sem dúvida nenhuma, todo o frete tem que ser repassado para o seu que vai colocar na planilha de custo dele", diz Eduardo Rebuzzi, presidente da NTC&Logística.
 

O professor de economia do Insper Otto Nogami destaca que o impacto é ampliado pela forte dependência do transporte rodoviário no país.

"Para se ter uma ideia, 60% do transporte de cargas é feito por caminhão", ressalta.
 

No campo, as consequências também já são sentidas. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) cancelou contratos de frete por causa do aumento do combustível e analisa outros casos individualmente. A medida busca garantir o transporte de grãos e evitar prejuízos no abastecimento.

Em nota, a Conab informou que as ações visam assegurar a continuidade do programa de venda em balcão, que facilita o acesso de pequenos produtores a insumos.

Já a Petrobras informou que todas as refinarias estão operando com capacidade máxima e que todo o combustível produzido está sendo entregue ao mercado.

A estatal afirmou ainda que antecipou as entregas de março, que estão até 15% acima do volume previamente negociado com distribuidoras, e disse que vem cumprindo todos os compromissos comerciais.

*Bom Dia Brasil/G1