O carnavalesco André Rodrigues anunciou nesta segunda-feira (16) que pediu demissão da Portela. A escola confirmou o “encerramento do ciclo do artista”, que esteve à frente dos desfiles de 2024, 2025 e 2026.
Em uma publicação nas redes sociais, André afirmou que decidiu deixar a agremiação após o desfile realizado na noite deste domingo (15), na Marquês de Sapucaí. “Hoje eu, sozinho, decidi me desligar da Portela”, escreveu.
No texto, o carnavalesco disse que “assumiu responsabilidades além da função” e citou problemas enfrentados durante o desfile — no fim da apresentação, uma alegoria quebrou e comprometeu a evolução da escola.
“Eu não deveria ser a única pessoa na armação que sabia destravar um carro alegórico para garantir que a Velha Guarda desfilasse, mas eu era e fiz”, afirmou.
O fim do desfile foi tenso, com a bateria terminando o desfile às pressas, tendo que passar pelos lados do carro parado, mas a escola conseguiu terminar o desfile com 79 minutos, portanto, dentro do limite.
Em sua publicação, André também mencionou ataques nas redes sociais, inclusive com referências à filha, de 4 meses. “No final das contas, eu, praticamente sozinho, nesses anos lidei e lido com a responsabilidade de tudo, e também com ataques contra mim, agora em postagens sobre minha filha”, escreveu.
Ele afirmou ainda que pretende repensar prioridades. “Honestamente, o ódio de internet não me assusta, mas ajuda a repensar prioridades. Quatro meses, tempo em que eu queria ter estado muito mais presente e não estive para garantir que esse carnaval chegasse na Avenida de maneira digna.”
O carnavalesco agradeceu à escola e citou integrantes da agremiação. “Amei e amo profundamente a Portela real, sua história e suas pessoas, que me acolheram e me fizeram sentir parte de uma escola de samba”, escreveu.
Ele também mencionou o presidente da escola, Junior Escafura, e a Velha Guarda. “Agradeço a todos da escola que entenderam a minha dedicação e o meu esforço, principalmente ao meu amigo Junior Escafura, que fez do impossível um caminho seguro para se tentar. Deixo o meu carinho especial para a Velha Guarda, com quem eu aprendi tanto e por quem eu lutaria até o fim.”
Em nota, a Portela comunicou “o encerramento do ciclo do carnavalesco André Rodrigues” e agradeceu pela parceria nos últimos anos. “Agradecemos profundamente por todo empenho, pelas ideias compartilhadas e pela parceria construída ao longo desses anos”, informou a escola.
A agremiação desejou sucesso ao artista nos próximos projetos.
O desfile deste ano homenageou o Príncipe Custódio, figura histórica ligada às religiões de matriz africana no Rio Grande do Sul. A comissão de frente levou para a Avenida representações de orixás, com destaque para Exu Bará, e contou com a participação de um integrante que sobrevoou a pista em pé sobre um drone.
O público que acompanhava das frisas e dos degraus próximos à pista chegou a sentir a potência das hélices do equipamento.
A Águia foi a 3ª escola a desfilar, já na madrugada de segunda (16), com o enredo "O Mistério do Príncipe do Bará – A oração do negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande", em que homenageou Príncipe Custódio, líder africano ajudou a difundir religiões afro no Sul do país.
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Portela tem problema em carro alegórico — Foto: Reprodução/TV Globo
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Carro da Portela que teve problemas para entrar na avenida — Foto: Reprodução/TV Globo
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Componentes da Portela observam a transmissão do desfile no celular depois que carro da escola tem problemas — Foto: Raoni Alves/g1