Terça-Feira, 17 de fevereiro de 2026
Terça-Feira, 17 de fevereiro de 2026
Após o desfile, parlamentares e partidos de oposição anunciaram ofensiva judicial contra o evento, com ao menos 12 ações para questionar a apresentação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao lado do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, na Sapucaí (Imagem: CARLOS SANTTOS/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO)
O governo federal negou qualquer interferência no desenvolvimento ou na escolha do enredo utilizado no desfile realizado no último domingo (15), em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na Marquês de Sapucaí.
Em nota produzida antes do desfile, a Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência) também informou que não havia qualquer decisão judicial que impedisse a realização da apresentação.
“Da mesma forma, não houve qualquer ingerência do governo na escolha e no desenvolvimento do enredo citado ou de qualquer outra escola”, diz o comunicado.
O governo acrescentou que a AGU (Advocacia-Geral da União) sugeriu manifestação da Comissão de Ética da Presidência da República, que emitiu orientações de conduta para autoridades federais.
“Essas orientações incluem a proibição de recebimento de convites de pessoas jurídicas com fins lucrativos que configurem conflito de interesse com a administração pública, o recebimento de diárias e passagens e a não realização de manifestações que caracterizem propaganda eleitoral antecipada”, afirma a nota.
As iniciativas citam possíveis casos de propaganda antecipada, abuso de poder político e econômico, uso indevido de recursos públicos e até alegações de preconceito religioso contra evangélicos retratados no enredo, levando o caso para além da Justiça Eleitoral.
O desfile
O presidente Lula foi tema do desfile da Acadêmicos de Niterói, na abertura do Grupo Especial das Escolas de Samba do Rio de Janeiro.
Intitulado "Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil", o enredo contou a história do presidente da República desde a saída de Garanhuns, no agreste de Pernambuco, sua vinda para São Paulo com a família, os tempos de líder sindical e sua chegada ao Planalto.
Lula acompanhou o desfile direto da Marquês de Sapucaí, no camarote do Executivo municipal, ao lado do prefeito Eduardo Paes (PSD), ministros e aliados.
A Comissão de Frente da Niterói retratou vários momentos da carreira política de Lula, como sua ascensão à Presidência e a passagem de poder à Dilma Rousseff (PT).
Também foi mostrado o ex-presidente Michel Temer (MDB) "roubando" a faixa presidencial de Dilma. Depois, Lula é preso, Temer passa a faixa ao palhaço Bozo — personagem famoso dos anos 1980 —, que estaria representando Jair Bolsonaro (PL).
Posteriormente, é visto o retorno de Lula ao Poder e a prisão do palhaço, ao lado do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).
Foram retratadas ainda alas com exaltações a programas sociais do governo petista.
Veja íntegra da nota da Secom:
O Governo do Brasil esclarece, a respeito das ações judiciais e representações:
*CNN Brasil