Sexta-Feira, 06 de fevereiro de 2026
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Representantes dos dois países se reuniram nesta sexta (6) para tentar chegar a um acordo para limitar o programa nuclear de Teerã em meio a ameaças mútuas feitas recentemente. Negociações terminaram 'por enquanto', segundo chancelaria iraniana.
(Imagem: Ministério das Relações Exteriores do Irã /WANA (Agência de Notícias da Ásia Ocidental)/Divulgação via REUTERS)
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou nesta sexta-feira (6) que a reunião com os Estados Unidos para negociar o programa nuclear iraniano teve uma "atmosfera muito positiva", com os dois lados concordando em avançar nas negociações.
“Em um clima muito positivo, nossos argumentos foram trocados e os pontos de vista da outra parte nos foram apresentados”, disse Araqchi à TV estatal iraniana, acrescentando que as duas partes “concordaram em continuar as negociações, mas decidiremos posteriormente sobre as modalidades e o cronograma”.
Araqchi disse à agencia de notícias estatal Irna que reiterou aos EUA que qualquer diálogo entre os países só evoluirá se Washington parar com as ameaças de agressão militar. Ele acrescentou que está negociando apenas o programa nuclear iraniano.
Os depoimentos de Araqchi ocorreram pouco após um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã ter confirmado o fim da reunião com os EUA nesta sexta e que as negociações haviam terminado "por enquanto".
O anúncio causa frustração porque ocorre apenas algumas horas após o início das conversas entre representantes dos dois países em Omã, mas segundo o ministro Abbas Araqchi, as conversas irão seguir, porém à distância.
"Os negociadores retornarão às suas capitais para consultas e as conversas continuarão. A barreira da desconfiança deve ser superada", afirmou Araqchi.
O encontro entre EUA e Irã durou cerca de seis horas. Começou pouco antes das 5h, no horário de Brasília, e terminou pouco antes das 11h. O objetivo da reunião era que Washington e Teerã chegassem a um consenso diplomático em meio às ameaças mútuas feitas nas últimas semanas.
O ministro das Relações Exteriores do Omã, Sayyid Al Busaidi, falou em "conversas muito sérias" e indicou novas reuniões no futuro. "Pretendemos nos reunir novamente no devido momento, com os resultados sendo cuidadosamente avaliados em Teerã e em Washington", afirmou.
Mais reuniões entre EUA e Irã devem ocorrer nos próximos dias, segundo o site norte-americano "Axios".
Horas antes da reunião, Araqchi falou que o país estava pronto para defender seus direitos e que "entraria na diplomacia com olhos abertos e uma memória firme do ano passado".
"Os compromissos precisam ser honrados. Igualdade de posição, respeito mútuo e interesse mútuo não são retórica — eles são uma necessidade e os pilares de um acordo duradouro", afirmou.
▶️ Contexto: O encontro ocorreu em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio e do envio de reforços militares americanos para a região. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou preferir a via diplomática, mas disse que pode optar por uma ação militar caso não haja acordo.
O governo iraniano afirma que o programa nuclear tem fins pacíficos. Por outro lado, Estados Unidos e Israel acusam o país quer desenvolver armas nucleares.
Araqchi viajou para Omã na quinta-feira (5). Segundo o governo iraniano, o país participará das negociações com o objetivo de alcançar um entendimento “justo, mutuamente aceitável e digno” sobre a questão nuclear.
Araqchi deve se reunir em Mascate com o enviado especial de Trump, Steve Witkoff, e com Jared Kushner, genro e assessor do presidente norte-americano.
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Os porta-aviões USS Abraham Lincoln e um B-52H Stratofortress da Força Aérea dos Estados Unidos realizaram manobras conjuntas em junho de 2019 — Foto: Brian M. Wilbur/Forças Armadas dos EUA
Os EUA enviaram soldados, um porta-aviões, navios de guerra, aviões de combate, aeronaves de vigilância e aviões-tanque para o Oriente Médio para pressionar o Irã. Trump afirmou que “coisas ruins” provavelmente acontecerão se não houver acordo.
Na véspera do encontro, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que o Irã deve lembrar que Trump, como comandante das Forças Armadas, dispõe de alternativas além da diplomacia.
Ao mesmo tempo, a TV estatal iraniana informou que um dos mísseis balísticos de longo alcance mais avançados do país, o Khorramshahr 4, foi posicionado em uma base subterrânea da Guarda Revolucionária.
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Líder supremo do Irã, Ali Khamenei, e o presidente dos EUA, Donald Trump — Foto: WANA (West Asia News Agency) via Reuters; Nathan Howard/Reuters
As ameaças de Trump e as promessas iranianas de contra-ataque levaram governos da região a tentar reduzir a tensão.
O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, afirmou trabalhar para evitar que o confronto se transforme em um novo conflito no Oriente Médio. Países árabes do Golfo temem que bases americanas em seus territórios se tornem alvos em caso de ataque ao Irã.
Além disso, o chanceler alemão, Friedrich Merz, disse haver “grande preocupação” com uma possível escalada e pediu que o Irã ajude a trazer estabilidade à região.
Já a China declarou apoio ao direito iraniano ao uso pacífico da energia nuclear e criticou ameaças de força e sanções.
*G1