Sexta-Feira, 06 de fevereiro de 2026
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Ministério da Justiça confirmou que já enviou ao governo dos EUA pedido de extradição do deputado. Ele foi ouvido em ação penal sobre crimes praticados após a diplomação, como dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.
Interrogatório de Alexandre Ramagem ao STF em julgamento sobre trama golpista (Imagem: Fellipe Sampaio/STF)
O deputado cassado Alexandre Ramagem (PL-RJ), foragido após deixar o país para ir morar nos Estados Unidos, foi interrogado por videoconferência no Supremo Tribunal Federal (STF), na quinta-feira (5).
Segundo o termo de audiência, protocolado no STF nesta sexta-feira (6), a oitiva durou cerca de 50 minutos e Ramagem foi interrogado por uma juíza auxiliar do gabinete do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso. Ele estava acompanhado do advogado.
De acordo com informações obtidas pela TV Globo, durante o interrogatório, o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) negou ter cometido os crimes, atacou o ministro Moraes e afirmou que é vítima de uma farsa.
Ramagem foi ouvido após Moraes decidir retomar a ação penal contra o ex-deputado pelos dois crimes praticados após sua diplomação como deputado federal: os delitos de dano qualificado e de deterioração do patrimônio tombado, praticados em 8 de janeiro de 2023.
A ação penal, suspensa por decisão da Câmara dos Deputados, foi retomada após Ramagem ter o mandato cassado pela Mesa da Câmara no ano passado (relembre mais abaixo). Como ele deixou de ser deputado, perdeu a imunidade parlamentar que seus colegas haviam lhe dado.
Ramagem já foi condenado a 16 anos de prisão, em setembro, por outros três crimes cometidos antes de sua diplomação, realizada no final de 2022:
No entanto, ele fugiu do país pouco antes de ter a prisão decretada em definitivo, e está morando nos Estados Unidos desde então.
O pedido de extradição foi determinado pelo ministro Alexandre de Moraes em dezembro do ano passado, após a fuga. De acordo com as investigações da Polícia Federal, Ramagem saiu do país de forma clandestina pela fronteira do Brasil com a Guiana, sem passar por controle migratório.
No país vizinho, embarcou no aeroporto de Georgetown com destino aos Estados Unidos, onde teria ingressado utilizando passaporte diplomático, apesar de existir determinação judicial para o cancelamento do documento.
Aliados do ex-deputado afirmam que ele pretende pedir asilo político nos Estados Unidos, o que pode prolongar a tramitação do pedido de extradição.
Quando a PGR apresentou a denúncia contra Ramagem e outros sete réus do núcleo crucial da trama golpista, no início do ano passado, a Câmara fez uma votação para decidir se autorizava o processamento criminal do deputado.
A maioria dos deputados votou para suspender integralmente a denúncia contra Ramagem. O Supremo, no entanto, invalidou parcialmente a decisão da Câmara e decidiu que o ex-diretor da Abin só não responderia pelos fatos ocorridos após sua diplomação como parlamentar.
Quando teve o mandato cassado após a condenação, Ramagem perdeu a imunidade parlamentar. Com isso, o processo foi retomado em dezembro, por ordem de Moraes.