Sábado, 24 de janeiro de 2026
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Ao menos 23 nações já aceitaram convite de Trump para integrar iniciativa sobre Gaza e outros conflitos. Brasil vê oportunidade de defender reforma na ONU.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante o lançamento do 'Conselho da Paz', em 22 de janeiro de 2026 (Imagem: REUTERS/Denis Balibouse)
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançou na quinta-feira (22) o “Conselho da Paz”. Cerca de 60 países foram convidados a integrar a iniciativa. Desses, ao menos 23 já aceitaram o convite, e seis rejeitaram.
▶️ Contexto: O Conselho da Paz é uma estrutura criada por Trump para atuar na manutenção da paz e na reconstrução da Faixa de Gaza. A iniciativa também pode atuar em outros conflitos internacionais no futuro.
Países mais alinhados a Trump, como Argentina e Israel, estiveram entre os primeiros a anunciar adesão ao conselho. Por outro lado, nações europeias veem a iniciativa com preocupação. O Brasil ainda avalia a proposta — veja a posição de Lula mais abaixo.
Até agora, o Canadá é o único país que teve o convite cancelado por Trump. O presidente americano anunciou a decisão após uma troca de farpas com o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, no Fórum Econômico Mundial.
Veja a seguir quem já aceitou e quem recusou o convite de Trump.
Nesta sexta-feira (23), o presidente Lula afirmou que o mundo vive um momento “muito crítico” do ponto de vista político e disse que a Carta da ONU está sendo “rasgada”. Ele também criticou o Conselho da Paz de Trump.
“Em vez de corrigir a ONU, como a gente reivindica desde 2003, com a entrada de novos países — como México, Brasil e países africanos — o que está acontecendo é que o presidente Trump está fazendo uma proposta de criar uma nova ONU, como se ele sozinho fosse o dono da ONU”, disse.
O g1 apurou que o Brasil não tem pressa para responder ao convite de Trump. A expectativa é que, em vez de uma resposta direta, o governo envie pedidos de esclarecimentos técnicos sobre brechas jurídicas do estatuto do conselho.
O governo Lula pretende usar o debate em torno dos interesses e do modo de atuação do novo órgão unilateral criado por Trump como argumento para defender uma reforma imediata do Conselho de Segurança da ONU durante a Assembleia Geral da organização, prevista para setembro.
Diplomatas enxergam o plano de Trump como um atestado da falência do atual sistema multilateral. Destacam ainda que o novo órgão só ganha tração porque o Conselho de Segurança não consegue mais resolver crises como a de Gaza.
“Se Trump parar o genocídio em Gaza, ele prova que a ONU não serve mais para nada no formato atual”, avaliou uma fonte ligada à diplomacia do Brasil.
*G1